Nação Zumbi leva show memorável até o sol raiar no Recife
No show da Nação Zumbi, na madrugada desta terça-feira, no Recife, não se pode falar em músicas mais conhecidas e menos conhecidas: parecia mesmo que qualquer uma era cantada do início ao fim. A cada novo sucesso, o público gritava exultante como se não houvesse amanhã; e duas músicas depois, um outro hit provava que maior animação era possível.
Ícone do movimento Manguebeat, o grupo que acompanhou Chico Science mostrou que os recifenses sabem se orgulhar do que têm de bom. Mormaço, Banditismo por uma Questão de Classe e Hoje, Amanhã e Depoisrevelaram como as três alfaias se davam bem com a pronunciada guitarra do virtuoso Lúcio Maia. Com Meu Maracatu Pesa uma Tonelada e Manguetown, o público foi ao delírio, e parecia ter chegado o ápice do show. Mas ainda haveria mais.
Um boato que correu em algumas bocas na segunda-feira se confirmou e foi uma agradável surpresa: fora da programação oficial, Manu Chao, que já conhecia o Carnaval do Recife, subiu ao palco em uma participação surpresa para cantar Tadibobeira. E o público mais uma vez pulou ao som de Blunt of Judah, Quando a Maré Encher e Maracatu Atômico antes de, bruscamente, a banda agradecer e ir embora.
Todos acharam que, fazendo o tradicional charminho, eles voltariam para cantar mais uma música ou duas. Pois ainda tocaram Cicatriz, que deve sair em CD neste ano, Cocô Dub, O Cidadão do Mundo e A Praiera. O sol começou a nascer, o vocalista Jorge Du Peixe reclamou que estava tarde e eles foram embora. E voltaram mais uma vez, trazendo Seu Jorge, que havia feito o show anterior. Juntos, cantaram ainda Da Lama ao Caos, mesclando com Ponta de Lança Africano (Umbabarauma), de Jorge Ben. Com o dia claro, Nação saiu de palco completamente ovacionada pelo público.
