"Baiano gosta de trabalhar se divertindo", diz ambulante
O Carnaval é uma das maiores - senão a maior - oportunidade dos soteropolitanos de faturar uma grana extra com a chegada dos turistas. O bom humor e a criatividade baiana são as principais armas dos vendedores ambulantes que circulam no circuito Barra-Ondina, em Salvador. "O baiano não é preguiçoso, apenas gosta de trabalhar se divertindo, por isso as pessoas pensam que nós não trabalhamos", justificava a vendedora Josélia Alves de Campos, que completava 45 anos, nesta sexta-feira de Carnaval.
Ela atua como uma verdadeira empresária com sua barraquinha de adereços, colares, pulseiras e chaveiros, onde emprega quatro pessoas durante o Carnaval. "A gente sempre se ajuda. O pessoal (os outros comerciantes) sempre ajuda a carregar, a ficar de olho, e quando vem o rapa (a polícia) todo mundo corre para lá e para cá... é todo mundo gente boa", disse a vendedora que fabrica seus próprios produtos. "Investi aproximadamente R$ 2 mil, e espero lucrar o mesmo valor", disse Josélia.
A criatividade do bem humorado povo baiano é latente, até quando se fala de negócios. O motorista Raimundo dos Santos, 62 anos, diz que inventou um apito que ele chama de Aiaititia, feito com fita isolante, glitter e transparência plástica para projetores. "Vai ser a sensação do Carnaval. Eu cobro R$ 3, mas se tiver um bom papo, leva por R$ 2". Ele afirma que vende uns 50 apitos por dia, e que espera lucrar R$ 500, já pagando os R$ 200 que investiu no negócio.
Já a atriz Lorena Geambastiani, 20 anos, usava o talento de andar em cima de uma perna de pau para lucrar no Carnaval trabalhando na promoção de uma bebida energética. "São três horas por dia aqui em cima, fechamos um pacote, por isso vou ganhar R$ 500 por todo o Carnaval, mas é bastante cansativo".
Hélio Cardoso, 43 anos, conhecido como Tigrão, usou a herança familiar para ganhar dinheiro em Salvador vendendo chapéus confeccionados por ele mesmo com palha de coqueiro. "Eu sou descendente de índios. Aprendi isso em casa, subo no coqueiro, pego a palha, e, em 25 minutos, consigo fazer um chapéu", diz. Segundo Tigrão, o preço varia de acordo com a cara do cliente, algo em torno de R$ 20 e R$ 25. Ele também faz pinturas corporais, pelas quais cobra R$ 2. "Espero terminar o Carnaval com pelo menos um salário mínimo".
Alguns usam o capital de giro emprestado para começar um negócio na maior festa baiana. "Consegui R$ 200 emprestados para comprar os cata-ventos, piscas-piscas e chupetas luminosas", disse o vendedor Pedro Eduardo de Souza, 30 anos. "Espero lucrar R$ 100 por dia"
