Blocos de rua são redescobertos no RJ, diz pesquisa
O crescimento do carnaval de rua do Rio de Janeiro nos últimos anos é um fenômeno natural de uma festa que está em constante transformação, mas tem a contribuição de um certo esgotamento das escolas de samba e de uma redescoberta dos blocos pela mídia, principalmente no centro e na zona sul da cidade.
A afirmação é do historiador Felipe Ferreira, ao analisar o impacto representado pelo grande número de blocos de rua no carnaval carioca - 424 este ano, se forem contados apenas os oficialmente cadastrados na prefeitura e autorizados a desfilar.
"Com o tempo, ficou cada vez mais difícil e caro desfilar numa escola de samba. Ou você paga caro por uma fantasia ou entra para uma ala em que é preciso ensaiar o ano inteiro", diz Ferreira, professor do Instituto de Artes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj) e autor das obras Livro de Ouro do Carnaval Brasileiro e Inventando carnavais: O Surgimento do Carnaval Carioca no Século 19 e Outras Questões Carnavalescas.
Para ele, isso é resultado do próprio crescimento das escolas, sobretudo as do grupo especial, disputadas por gente de todo o mundo. Aliado aos altos preços dos ingressos no sambódromo, este fato tem levado um número crescente de foliões aos blocos de rua, que estavam relegados a um segundo plano na festa.
Os blocos passaram - ou voltaram - a ser a opção daquelas pessoas que querem brincar o Carnaval, mas de uma forma mais descompromissada. Para isto, no entanto, houve uma grande contribuição dos meios de comunicação. "Os blocos, na verdade, nunca deixaram de existir. Eles estavam é meio fora do foco da mídia. Em Madureira e outros bairros da zona norte, sempre foram fortes. O que houve é que com esse esgotamento das escolas de samba o número deles cresceu muito na zona sul e no centro, onde tudo o que acontece tem mais repercussão na mídia", diz o historiador.
A divulgação maior acaba atraindo mais foliões aos blocos e propiciando o surgimento de outros, num processo de que Ferreira define como de realimentação. "O crescimento vem se dando em progressão geométrica: a cada ano aumenta mais o número de blocos e o de pessoas participando deles", constata.
