Beija-Flor diz que prisão de Arruda não afeta beleza do Carnaval

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Larissa Borges e Fabiana Leal, Portal Terra

RIO - Com a prisão do governador José Roberto Arruda (sem partido, ex-DEM) por suposta tentativa de compra de testemunhas no escândalo do mensalão no Distrito Federal, a Beija-Flor de Nilópolis, que apresentará neste ano um enredo sobre os 50 anos de Brasília, diz que sua passagem pela Marquês de Sapucaí, que fecha as apresentações do grupo especial no primeiro dia, não será prejudicada pelos escândalos e suspeitas de oferecimento de propina a deputados da capital federal.

Na agremiação, Brasília é descrita como "brilhante ao sol do novo mundo", "do sonho à realidade" e a "capital da esperança" e o único político citado no samba-enredo dos autores Picolé da Beija Flor, Serginho Sumaré, Samir Trindade, Serginho Aguiar, Dison Marimba e André do Cavaco é o presidente idealizador da cidade, Juscelino Kubitscheck. "Em nada a apresentação da Beija-Flor será afetada. A escola não fala de política. Não tem nada a ver com o cara (Arruda), e sim tem a ver com a cidade de Brasília e seu surgimento. O único político citado é o JK, que não tem como não ser", disse a Beija-Flor.

A Liga Independente das Escolas de Samba do Rio de Janeiro (Liesa) não comentou o episódio.O mensalão do governo do DF, cujos vídeos foram divulgados no final do ano passado, é resultado das investigações da operação Caixa de Pandora, da Polícia Federal. O esquema de desvio de recursos públicos envolvia empresas de tecnologia para o pagamento de propina a deputados da base aliada.

O governador José Roberto Arruda, apontado como suposto coordenador da distribuição da propina, aparece em um dos vídeos recebendo maços de dinheiro. As imagens foram gravadas pelo ex-secretário de Relações Institucionais, Durval Barbosa, que, na condição de réu em 37 processos, denunciou o esquema por conta da delação premiada.

Em pronunciamento oficial, Arruda afirmou que os recursos recebidos durante a campanha foram "regularmente registrados e contabilizados". As investigações da Operação Caixa de Pandora apontam indícios de que, além do governador, assessores, deputados e empresários podem ter cometido os crimes de formação de quadrilha, peculato, corrupção passiva e ativa, fraude em licitação, crime eleitoral e crime tributário.