O preconceito sempre presente
Sylvia Romano, Jornal do Brasil
RIO - Por princípio, sempre fui contra qualquer tipo de preconceito, seja em relação a credo, cor, preferência sexual, nacionalidade, tipo físico, enfim, a qualquer rejeição das diferenças.
Estes dias, fui surpreendida com uma notícia divulgada nos principais veículos impressos e eletrônicos de comunicação sobre a prisão de um grupo de ciganas idosas que fraudava o INSS com certidões falsas. A detenção dessas senhoras foi das mais justas, pois afinal os crápulas também envelhecem, e corruptos e ladrões têm de sofrer os rigores da lei, não importando a que segmento da sociedade pertencem. Lei é lei e tem de ser respeitada por todos, mesmo sabendo que para uns ela é rígida e, para outros, é bem frouxa me refiro principalmente àquelas que deveriam ser aplicadas aos corruptos do nosso governo.
Voltando ao caso das velhinhas, o que mais me chamou a atenção não foi a prisão mas a palavra ciganas, o que no meu entender configura uma forma explícita de preconceito contra este povo que, como os judeus até o final da Segunda Guerra Mundial, não tem uma pátria mas que graças a sua persistência mantém por milênios a sua identidade, preservando suas tradições principalmente através do seu artesanato em cobre, músicas, danças e do costume de prever o futuro. Quanto a sua sabedoria, no meu entender, é representada pela famosa praga cigana , que diz que você tenha tudo o que deseja , e que é dirigida aos seus piores inimigos.
Esse povo famoso na literatura por suas belas mulheres é ainda hoje um dos mais perseguidos pelo preconceito devido a falsas lendas e à inveja da sua maneira livre de ser, o que poucos não ciganos têm a coragem de assumir. Não sei se existe uma representação oficial dessas belas pessoas em nosso país mas, se existir, acho que é hora de começar a pensar em seus direitos, pois, afinal, ciganos também são cidadãos brasileiros e pela nossa Constituição todos são iguais perante a lei.
Quanto à questão do preconceito, tenho de confessar que tenho dois e acho que estes deveriam fazer parte da vida de todos: o preconceito contra a burrice e a desonestidade que hoje, infelizmente, são diferenças que já não fazem parte das minorias mas da maioria da nossa sociedade.
Sylvia Romano é advogada trabalhista, responsável pelo Sylvia Romano Consultores Associados, em São Paulo. E-mail: sylviaromano@uol.com.br .
