Viabilizar o desenvolvimento é dever de todos

Por

Paulo Skaf *, Jornal do Brasil

SÃO PAULO - Conciliar o crescimento econômico com justiça social e a criação de empregos acima dos índices de expansão demográfica com os preceitos da sustentabilidade socioambiental é a síntese do modelo ideal de desenvolvimento no mundo contemporâneo. Para o Brasil, viabilizar tais conquistas implica solucionar gargalos persistentes. Nesse sentido, é prioritário resgatar o passivo social, democratizar as oportunidades e transformar empregos, empreendedorismo e salários dignos nos principais meios de inclusão de milhões de habitantes nas prerrogativas da cidadania. É premente, ainda, adequar os padrões produtivos à realidade de um planeta em processo de mudança climática e cada vez menos rico em recursos naturais e fósseis.

Nesses contextos, não basta a ação do Estado. Felizmente, a iniciativa privada tem ajudado a mitigar as consequências, para a economia e a qualidade da vida, dos problemas brasileiros não resolvidos ao longo da história. Há relevantes contribuições no exercício da cidadania empresarial, em programas de inclusão, educação, assistência médica, alimentação, cultura, esportes e lazer. São referenciais os exemplos da indústria, em especial nos dois grandes pilares do novo modelo de desenvolvimento: o ensino e a produção ecologicamente correta.

Na educação, que consubstancia o direito humano essencial para a inclusão de milhões de habitantes nos benefícios da economia e o exercício pleno das prerrogativas do civismo, é emblemático o trabalho do Senai-SP e o Sesi-SP. Estas instituições do Sistema Fiesp, precursoras do Terceiro Setor no Brasil, oferecem uma das maiores redes de ensino do país, cuja qualidade é um parâmetro cada vez mais reconhecido. No seu esforço crescente no sentido de prover ensino fundamental e básico de qualidade aos filhos dos industriários e a crianças e jovens da comunidade, o Sesi-SP está instituindo a jornada de período integral em suas escolas, com horários para aulas, estudos em bibliotecas, alimentação saudável, acompanhamento médico e atividades culturais e esportivas.

Há, ainda, a possibilidade de o aluno ter formação profissionalizante integrada, por intermédio do Senai-SP. Esta instituição, de sua parte, é uma das mais reconhecidas do mundo na educação profissional, mantendo cursos técnicos, superiores e de ensino continuado. O número de matrículas anuais supera 1 milhão. São formados recursos humanos para todos os ramos da indústria e com habilidades ecléticas, capazes, portanto, de responder às novas exigências do mercado de trabalho.

Também são relevantes os avanços quanto à chamada produção limpa ou seja, os meios, tecnologias e processos que possibilitam a fabricação dos mesmos bens e a prestação dos mesmos serviços com menor consumo de recursos materiais e energéticos e geração mínima ou nula de poluentes. E todos ganham: o meio ambiente, porque há economia de recursos naturais e menor descarga de poluentes; a própria indústria, com mais produtividade, retorno financeiro e o valor agregado da cidadania empresarial; o trabalhador, com mais segurança e salubridade no ambiente profissional; e a sociedade. Afinal, reduzir os impactos ambientais da produção melhora a qualidade da vida, economiza água e energia e reduz o uso de matérias-primas tóxicas.

Na Fiesp/Ciesp, o tema é recorrente. Exemplos disso são o Prêmio de Mérito Ambiental e o Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água. Ambos têm a finalidade de reconhecer e estimular as boas práticas. Cabe ressaltar que nos dedicamos a estudos, análises e reflexões. Mantemos o Departamento de Meio Ambiente, com técnicos altamente capacitados, que se empenham em assuntos como manejo de resíduos sólidos industriais, uso do solo e da água e poluição. Dentre outras medidas, também criamos o Conselho Superior, composto por ambientalistas e personalidades do meio acadêmico, dedicado ao debate da questão ambiental sob a perspectiva da indústria.

A responsabilidade ante as demandas do desenvolvimento sustentável exige imenso esforço por parte dos setores público e privado. Afinal, é inimaginável a sobrevivência digna da humanidade, inclusive nas nações desenvolvidas, num habitat insalubre e superaquecido, com recursos naturais escassos, produção insuficiente e milhões de habitantes excluídos sumariamente dos benefícios da economia pela precariedade do ensino. Todos precisam participar!

* Paulo Skaf é presidente da Federação e do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp/Ciesp).