Botafogo enfrenta amargo jejum de um mês
Fúlvio Melo, Jornal do Brasil
SAQUAREMA - Prestes a completar um mês no comando do Botafogo, o técnico Estevam Soares coleciona insucessos e ainda busca sua primeira vitória dirigindo o time do Rio. A última vitória de Estevam foi no Barueri, 1 a 0 sobre o Grêmio, no dia 9 de agosto. O martírio do Botafogo começou justamente após derrotar a então equipe treinada por Estevam, no dia 1º de agosto. Nem mesmo o próximo adversário ajuda. Embora o Fluminense ocupe a última colocação, o jogo é um clássico e Estevam está bem longe de refletir a paisagem calma e pacata de Saquarema.
Nunca fiquei tanto tempo sem ganhar. Pelo menos a primeira vencia. Mas sinto que minha hora está chegando afirmou o treinador.
Usando as instalações da Confederação Brasileira de Vôlei onde há um lago com uma imensa varanda, lugar perfeito para reflexão, bem diferente da apertada sede de General Severiano Estevam se preocupa com um importante trunfo do adversário. Cuca conhece muito mais os jogadores alvinegros, como André Lima, Lucio Flavio, Alessandro e Juninho, do que seus próprios jogadores.
Sem dúvida será um trunfo para ele. Mas estou focado no time deles, principalmente nessa última partida. Nossa evolução técnica e tática é notória. No entanto, sem vitória a semana vai toda por água abaixo concluiu Estevam.
O esforço do treinador e dos jogadores com exceção de Jônatas e a habitual displicência é notório. Sob calor forte, os jogadores fizeram um trabalho de finalização. Primeiro, atacante contra zagueiro, simulando um mano a mano. Em seguida, apenas finalizações, onde Victor Simões foi o destaque negativo. O aproveitamento ruim se refletiu no segundo período de treinos.
À tarde, os jogadores treinaram em Araruama, e a parte tática foi testada. Estevam mexeu na equipe e reforçou a combalida defesa. Além do goleiro Jefferson, Teco assumiu a vaga de Thiaguinho. O zagueiro então compôs o setor ao lado de Emerson e Juninho. O meio-campo foi formado Fahel, Leandro Guerreiro e Lucio Flavio, com Michael e Alessandro, nas alas.
Na frente, Victor Simões, para alegria de muitos alvinegros, foi barrado. Em seu lugar entrou Reinaldo, que, recuperado, não vê a hora de começar uma partida novamente, situação que não acontece desde a fatídica lesão no primeiro jogo do Carioca em 2009.
Para ficar na ponta dos cascos só falta jogar afirmou o ansioso atacante. Depende do chefe.
Reinaldo volta em um momento crucial, não só dentro, como fora de campo. Rodado, o atacante ressaltou a demora para a equipe perceber sua real situação no campeonato. Mesmo de fora, o jogador alertava sobre a perigosa aproximação da zona de rebaixamento e o certo relaxamento no discurso, dentro e fora do vestiário.
Quando jogava no Santos, Vanderlei Luxemburgo sempre falava que, em pontos corridos, cada jogo é uma final. Aqui perdemos cinco e achamos que dá para recuperar. Não é bem assim, o restante desgarra e depois fica difícil alcançar.
Um dos líderes e mais rodados do elenco, Reinaldo deu o tom do sentimento alvinegro nesta semana. O fantasma do rebaixamento também está alojado num dos quartos da concentração alvinegra.
Este jogo é mais importante que a final do Estadual concluiu.
