Salários em dia e investimento na base: Atlético-MG é a surpresa

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Márcia Vieira, Jornal do Brasil

BELO HORIZONTE - Líder do Brasileiro, segundo melhor ataque (27 gols) e tendo Diego Tardelli como um dos artilheiros (oito gols). Sem alarde, o Atlético-MG vem fazendo o dever de casa. Em 13 jogos, venceu oito, empatou quatro e perdeu apenas uma vez. Feliz com o rendimento da equipe, o técnico Celso Roth ressalta a importância do grupo e da torcida, e aposta no trabalho para manter o fôlego e chegar longe. Algo que conseguiu ano passado, no vice-campeonato do Grêmio. Por telefone, Roth revelou ao JB a preocupação de finalmente conquistar um título nacional.

- Você assumiu o Atlético-MG no dia 4 de maio. Esperava ter resultados tão positivos em tão pouco tempo?

Quando você começa um trabalho, já é cobrado pelo ontem. Então, quando você tem uma sequência e consegue resultados positivos, está dentro da normalidade. Infelizmente, nós não temos mais tempo para fazer planejamentos. Tenho que chegar ao clube e dar resultados imediatos.

- O grupo te surpreendeu?

Peguei um grupo que veio de uma situação negativa com a perda do campeonato regional e a eliminação nas oitavas de final da Copa do Brasil. Quando fizemos o segundo jogo na Copa do Brasil, percebi que o grupo tinha um valor muito grande. Os jogadores me receberam bem e nós interagimos imediatamente. O mais importante é que, com esta troca, conseguimos equilibrar a equipe rapidamente.

- Qual o segredo do Galo?

Estamos felizes, temos estrutura, comando, uma torcida maravilhosa e uma categoria de base forte. Além disso, o salário está em dia, o que é importante e dá seguranças. Estamos tirando proveito de tudo isso.

- Quantos jogadores foram formados nas divisões de base?

Temos 18 jogadores revelados pela base, sendo que cinco ou seis costumam estar entre os titulares.

- Deste grupo, você aposta em alguma promessa?

Temos uma dupla de zaga da casa: Welton e Werley. Parece dupla rancheira, mas não é. São dois meninos, um com 20 outro com 21 anos. Temos ainda o Renan Oliveira, que não está jogando, e o Tchô, que também tem muito futuro.

- Por que Diego Tardelli voltou a jogar bem em Minas?

Futebol ele sempre teve. O Tardelli surgiu muito cedo e depois andou por aí à procura de um porto seguro. E foi isso que o Atlético deu a ele e a sua família. Hoje, ele está muito feliz em Belo Horizonte e estamos lhe proporcionando condições para desenvolver seu melhor futebol.

- A média da torcida do Atlético é a maior do campeonato. Qual é o peso da torcida?

A equipe dá retorno dentro de campo e a torcida passa a ser um ponto fundamental na nossa campanha. Ela é magnífica e essa média pode até aumentar. Isso vai depender do rendimento do time.

- Tem muito campeonato pela frente, você acredita que haverá uma alternância na liderança?

As pessoas se preocupam se vamos chegar. Vamos continuar trabalhando e sempre pensar em ser melhor do que fomos ontem. Este é o grande segredo. Temos a obrigação do título. Mas, se vamos continuar nesta posição, se vamos cair de produção, é consequência do trabalho.

- Chegou a hora de conquistar um título expressivo?

Se está na hora eu não sei. No nosso sistema capitalista, o objetivo sempre é o fim. No futebol também. Não interessa o trabalho que se faça, tem que atingir o objetivo que é o título. Vou continuar trabalhando e sei que a qualquer hora dessas esta situação virá por merecimento. É muito fácil dizer que o Atlético é cavalo paraguaio, o difícil é trabalhar. As pessoas não olham o trabalho que se faz. Esta opinião é para quem vive num mundo simplório e superficial.