O que é verdade sobre a nova gripe
José Gomes Temporão *, JB Online
RIO - Todas as
ações para a proteção da população estão sendo tomadas
OBrasil e o mundo convivem atualmente com dois subtipos de vírus que provocam a gripe. O primeiro é aquele da chamada gripe comum, a qual convivemos todos os anos. O segundo é o Influenza A (H1N1), que teve os primeiros casos em humanos no México, em março, e passou a ter indícios de circulação no Brasil na última semana. Embora seja uma doença nova e precise de maiores estudos, o que já percebemos sobre o seu efeito é que a gripe A (H1N1) e a gripe comum são muito parecidas. Isso vale tanto para os sintomas que as pessoas apresentam quanto para o tratamento indicado.
Além da evolução similar, também tem sido igual a taxa de pessoas que morrem por complicações da doença. Do total de doentes, 99,5% deles seguem para a cura e a maioria absoluta dos pacientes tem quadros leves e volta às suas atividades rapidamente. Assim, não há a necessidade de uma corrida aos hospitais. O que a gripe A (H1N1) requer é um acompanhamento próximo de um médico de confiança, do plano de saúde ou postos de saúde, equipes da Saúde da Família e UPAs que atendem ao SUS.
Muitos devem se perguntar hoje sobre quem deve procurar um médico. A resposta é que esses profissionais devem ser consultados pelas pessoas com febre, tosse, dor de garganta, nas juntas ou muscular. Esses profissionais indicarão o melhor tratamento a seguir e orientações. Isso vale independentemente do resultado de exames laboratoriais, pois todos os pacientes indicados receberão medicação específica imediatamente. Ou seja, o tratamento é feito com base nos sintomas e na avaliação médica, e o exame é utilizado pelo Ministério da Saúde e demais autoridades sanitárias para o monitoramento da doença.
Como já ocorre com surtos de gripe comum, os exames estão sendo feitos para confirmar uma amostra de casos e todos os outros que tiverem os mesmos sintomas e no mesmo ambiente, seja em casa, na escola, no trabalho, na igreja ou no clube, serão confirmados por vínculo epidemiológico. Além disso, temos no Brasil 68 unidades de Rede Sentinela em todos os estados, com a função de monitorar a circulação do vírus influenza e a ocorrência de surtos. Assim conseguimos acompanhar em tempo real a evolução da doença no país e adotar medidas adequadas para cada estágio.
Os hospitais, nesse atual cenário, são importantes para os casos mais graves. Ao todo temos 68 unidades de referência em todo o país, com cerca de 900 leitos disponíveis para pacientes que precisem internação. De medicamentos, o Ministério da Saúde acaba de receber 50 mil tratamentos de um total de 800 mil que chegarão até setembro. Eles serão distribuídos aos estados e incorporados ao estoque de 9 milhões de tratamentos disponíveis no momento.
É importante observar que, todos os anos, no mês de julho, cerca de 4.500 pessoas morrem por complicações da gripe comum. No Brasil, até o momento, foram 29 as mortes relacionadas ao Influenza A (H1N1).
Há recomendações simples que ajudam na prevenção da doença: lavar com frequência as mãos. Quando a pessoa está infectada, pela tosse ou pelo espirro, ela lança gotículas de saliva ou secreção que podem conter o vírus e acabam depositadas nas superfícies, como mesa, tecidos, maçaneta, corrimão etc. Dentro dessas gotículas, o vírus pode sobreviver por até 72 horas. Assim, lavando as mãos evita-se, após o contato, que se introduza o vírus no seu corpo. Além disso, para quem está gripado, é importante cobrir a boca e o nariz com um lenço descartável ao espirrar ou tossir, para que o vírus não seja passado adiante. Também é recomendado não compartilhar talheres ou pratos e objetos de uso pessoal com outras pessoas.
Influenza é um vírus que circula mais no inverno. A doença deve começar diminuir nas próximas semanas. As autoridades do Brasil e do mundo, assim como diversos laboratórios privados, estão em busca de uma vacina, que deve ficar pronta nos próximos meses e ser utilizada aqui no próximo ano. Todas as ações para a proteção da população estão sendo tomadas. As pessoas podem ficar seguras de que as medidas tomadas até o momento estão surtindo o efeito para a proteção dos brasileiros.
* Mnistro da Saúde
