O PT e alguns conceitos econômicos

Por

Marcos Venícius Barreto Magalhães *, Jornal do Brasil

RIO - Uma das discussões da economia é sobre o que é normativo e o que é positivo. A positiva refere-se, principalmente, aos princípios, teorias e modelos da ciência econômica, cuja base do conhecimento é a micro e a macroeconomia.

Já a política econômica (a normativa) discute como a economia deveria ser, naturalmente, usando a economia positiva para posicionar-se, mas unida à ideologia.

Sobre a prática da economia normativa, lembramos o que o Partido dos Trabalhadores pregou até às eleições de 2002, e até certo ponto nas eleições de 2006: tomar os meios de produção dos capitalistas e entregá-los aos trabalhadores, distribuir terras, mais empregos, mais educação, mais igualdade entre os cidadãos, infraestrutura, salário mínimo de US$ 100 (da época), honestidade com a coisa pública etc.. Portanto, mudanças estruturais, e (por que não dizer?), pregou um novo modo de produzir.

O conceito econômico de custo de oportunidade diz que ao normatizarmos por uma opção econômica reduziremos o resultado a ser obtido pela opção B, devido à escassez de recursos etc.

Por isso, se a maioria do povo optou por escolher um indivíduo acrítico para dirigir o Brasil, teria que admitir o altíssmo risco que correria quanto aos seus resultados. Em outubro de 2002, o risco Brasil chegou a mais 2 mil pontos, ou seja, mais de 20 pontos-base acima da taxa de juros cobrada pelo Tesouro americano para atender aos seus clientes preferenciais. E os investimentos estrangeiros diretos, entre 2003 e 2007, atingiram apenas US$ 9,8 bilhões por ano, em média, o que pode ter sido decorrente deste elevado risco.

Mas, a despeito disso, a desvalorização do real no período pré-eleitoral, resultante da incerteza com a ascenção do PT, somado ao grande crescimento da economia e do comércio internacionais, provocou algum crescimento das riquezas nacionais, que em média e em termos reais atingiu 4,1% ao ano, de 2003 a 2008, não obstante a ampla cobertura dos meios de comunicação no desfavorecimento da sua real origem e perfil. Claro, em crescendo muito, mostravam ao povo o seu acerto eleitoral (coisa que não aconteceu). Não crescendo, o inculto

estaria por si só explicado.

Neste momento, quando a crise econômica (previsível no modo capitalista de produção, para algumas escolas) já parecia atingir o Brasil, uma vez que, por exemplo, a produção industrial, no acumulado janeiro e fevereiro de 2009 em relação ao mesmo período de 2008, caiu 17,2 %, além do parco crescimento para todo o ano de 2008 em relação à 2007, que foi de 3,1%; adicione-se a queda do PIB no quarto trimestre em relação ao anterior em 3,6%, e cuja previsão para 2009 é de redução de 0,49% , observamos-se também algumas questões de ordem normativa e positiva.

As positivas afiguram-se no sentido de ser provável, por exemplo, que se as exportações não puderem se sustentar nos níveis de crescimento do período 2003 à 2008, devido à recessão das grandes economias mundiais, o multiplicador econômico que resultaria, caso fosse ao contrário, não se realizará. Portanto, os meios de comunicação e o povo, abraçados, não terão como se regojizar.

Pelo lado normativo, deveremos encarar o fato de, com a crise externa contaminando a economia brasileira, isto resulta, possivelmente, do risco assumido por termos um incompetente na presidência da República.

Então, as consequências (como desemprego, recessão etc.), ao admitir um presidente com esse perfil, deverão recair sobre quem assumiu os inimagináveis riscos, ou seja, o povo. As pesquisas de popularidade informam do total apoio ao presidente. Ótimo! Vamos ver, se na dor do desemprego (que já atingiu 8,1% nas seis regiões metropolitanas brasileiras), redução da renda e coisas que tais (caso aconteçam com mais intensidade), a popularidade se

mantém.

Pensando nos grandes números, se jogarmos uma moeda mil vezes ao ar, sabemos que em 50% delas cairá ao chão, cara, e o restante, coroa. Por analogia, se assume um presidente, apenas, com um pequeníssimo senso comum e petista, e o tivesse de tomar uma ou duas decisões, poderia ocorrer um milagre; agora, se esta mesma figura tem que decidir por oito anos, a lei dos grandes números indica que o resultado teria que ser uma catástrofe, que é como está, e poderá aumentar.

Portanto, não devemos explicar a crise econômica, caso se abata sobre o Brasil, através da crise mundial (uma vez que esta, apenas, revelará mais a intensidade dos nossos problemas); mas tão somente, pelo fato de, nestes últimos anos, o governo petista nada ter feito (copiando a rotina de FHC). A crise mundial não pode ser responsabilizada pela crise estrutural brasileira!

* Doutourando em administração pública UCM/Unifacs