Estado e extremismo

Por

Richard Bennett *, Jornal do Brasil

RIO - Embora até agora nenhum grupo tenha se responsabilizado, deve-se presumir que foram os terroristas islâmicos que orquestraram os ataques a hotéis luxuosos no coração da capital da Indonésia.

Os dois suspeitos de serem os homens-bomba suicidas, que danificaram gravemente os prédios do Ritz Carlton e do JW Marriott, matando pelo menos nove outras pessoas além de si próprios e ferindo mais de 50, incluindo estrangeiros, provavelmente são membros do Jemaah Islamiah ou algum grupo ligado a eles.

Enquanto duas explosões foram detectadas, um terceiro dispositivo que não explodiu e outro material explosivo foram encontrados por uma unidade de contraterrorismo no quarto 1808 do hotel Marriott. É possível que o quarto tenha servido de quartel-general para os ataques terroristas.

Embora não seja exatamente o braço leste asiático da Al Qaeda, o Jemaah Islamiah tem conexões com a organização de Osama bin Laden assim como um longo histórico de ataques à bomba na Indonésia.

Aparentemente, havia um número significativo de combatentes do Jemaah Islamiah nos campos de treinamento da Al Qaeda no Afeganistão e outros lugares, possibilitando ligações com outros militantes do sudeste da Ásia, incluindo a Frente da Liberação Islâmica movimento islâmico separatista no sul das Filipinas assim como diversos outros grupos terroristas da Indonésia, Malásia e Tailândia.

Acredita-se que o próprio Jemaah Islamiah foi formado em 1988 na Malásia, por um pequeno grupo de extremistas exilados, com o objetivo de transformar a Indonésia em um Estado Islâmico.

As redes de terrorismo que criaram agora se estendem através da Indonésia, Cingapura, Malásia, Filipinas e Tailândia, enquanto grupos de apoio em outros países ajudam a providenciar dinheiro, armas e publicidade.

A Indonésia sofreu diversos ataques à bomba desde 2000, inclusive a atrocidade em Bali em outubro daquele ano, quando ataques em duas discotecas mataram 202 pessoas, a maioria australianos. O hotel Marriott já havia sido alvo de um ataque em agosto de 2003, quando outras 13 pessoas foram mortas.

O motivo por trás dos recentes bombardeios permanece oculto e, embora ocorram apenas semanas após as eleições presidenciais pacíficas na Indonésia, não parecem ter ligações diretas com o pleito.

Testemunhas acreditam que o verdadeiro alvo dos ataques é o comércio estrangeiro durante feriados, vital para o bem-estar da economia imprevisível da Indonésia.

O governo em Jacarta está se preparando para a possibilidade de um alerta de viagens emitidos pela Austrália, Nova Zelândia, Reino Unido e EUA, o que causaria uma onda de cancelamentos de viagens nos feriados.

Os extremistas são impiedosos e estão determinados em transformar a Indonésia em um Estado Islâmico.

* Analista de inteligência do centro AFI Research, no Reino Unido