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As blitzes policiais atrapalham o trânsito?

Por

Marcus Quintella * , Jornal do Brasil

RIO - Estou impressionado com a quantidade dos comentários registrados em meu blog do JB , a respeito do tema 'As blitzes policiais atrapalham o trânsito, ou não?', postado em 27/04/09. De lá pra cá, foram 29 os comentários, a maioria radicalmente contra as blitzes, por diversas razões.

No meu texto do blog, levantei a questão sobre os transtornos no trânsito causados pelas blitzes policiais, mas, ao mesmo tempo, ressaltei a importância dessas ações, especialmente aquelas que fiscalizam a Lei Seca. Comentei também que existem blitzes que atrapalham mais do que ajudam, realizadas em locais de grande fluxo de veículos e em horários de rush, causando congestionamentos quilométricos. Questionei a eficácia e segurança, para os próprios policiais, das blitzes de um só veículo da PM, com apenas dois policiais armados, geralmente à noite. Finalizei o texto externando meu pensamento de que as blitzes são importantíssimas, mas deveriam ser planejadas de forma inteligente, com discrição absoluta, para atuar como elemento surpresa e produzir resultados significativos, e que não deveriam ser anunciadas e facilmente visíveis de longe, para não alertar os infratores e marginais. A partir dessas minhas colocações, surgiram os comentários dos leitores. Selecionei alguns para compor este artigo.

O leitor R.O. comentou que a blitz é uma estratégia ultrapassada, pois o policial fica parado, esperando o infrator e o bandido. O leitor R.V. coloca que as blitzes não são tão eficazes, já que a criminalidade só piorou. O leitor M.A. afirma que as blitzes atrapalham e são típicas de países subdesenvolvidos. Os leitores C. e A. acrescentam que elas atrapalham muito e servem apenas para complicar o fluxo no trânsito já ruim na cidade.

O leitor J.L. disse que essa prática repetida, nos mesmos lugares, torna ineficaz o serviço, beneficiando os ilegais e punindo cidadãos dentro da lei. O leitor A.P. pergunta quando os ônibus e vans serão realmente fiscalizados. Ele afirma que as blitzes são irresponsáveis, ineficazes, inócuas, indisciplinadas e, em geral, servem apenas para os PMs arrecadarem propinas, e influenciam muito pouco na diminuição da violência. O leitor I.G. acha que deveria haver uma combinação com a bandidagem, que também faz a suas blitzes. Já o leitor A.P. pensa que os bandidos não se intimidam com blitzes, porque eles são informados, via rádio. J.F. acha que as blitzes não pegam ninguém e somente trazem transtornos para o trânsito.

O leitor E.S. acha que os policiais levam muito tempo entrevistando um motorista nas blitzes, quando a abordagem deveria ser rápida e objetiva, com a verificação dos documentos e, se houver irregularidades, aplicação de multa ou apreensão. Ele acha que, se os documentos estão em dia, não há motivos para o policial ficar conversando com o motorista, atrapalhando o trânsito.

A leitora M. disse que as blitzes são necessárias, pois pegam deliquentes e evitam sequestros relâmpagos. Ela roga para que as blitzes continuem em São Paulo, onde mora, visto que o caos da capital paulista vai continuar de qualquer forma. Na mesma linha, P.L. disse que as blitzes são um mal necessário e devem ser intensificadas. A carioca L., moradora de Salvador, acha que as blitzes são necessárias para intimidar alguns marginais e devem continuar em todas as capitais brasileiras.

Pelo visto, as pessoas entendem que as blitzes são importantes, mas atrapalham mais do que ajudam, pois são pouco inteligentes. Além disso, as intenções das blitzes não contam com a confiança da população, ainda mais quando são realizadas com um só carro de polícia e dois policiais. Parece que há um consenso entre os participantes do meu blog quanto à pouca eficácia das blitzes. A maioria acha que as blitzes servem apenas para achacar os incautos cidadãos e praticamente não incomodam nem prendem os bandidos, que circulam livre e impunemente por toda a cidade. Espero que as autoridades percebam isso e alterem a forma de agir da polícia.

A propósito, cabe esclarecer que blitz já é uma palavra aportuguesada, inclusive constante do 'Aurélio', como substantivo feminino. Portanto, o plural de blitz deve seguir as regras ortográficas, ou seja, palavras terminadas em z , acrescidas de es ficam blitzes.

* Marcus Quintella é engenheiro