Presidente Lula acerta, mas Embratur erra feio

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Cláudio Magnavita *, Jornal do Brasil

RIO - Ao terminar o seu discurso na 9ª Conferência Global de Viagens e Turismo do WTTC, em Florianópolis, o presidente Lula foi aplaudido por uma elite de empresários que pela primeira vez assistiam a um chefe de Estado falar do turismo com conhecimento.

A imprensa internacional que esperava um discurso burocrático se dobrou ao perceber que no Brasil o turismo é uma política de Estado. Dois dias depois o secretário geral da Organização Mundial do Turismo (OMT) da ONU, Taleb Rifai, propôs que Lula fosse o porta-voz do setor no G-20. O Brasil foi novamente reconhecido por uma posição de vanguarda.

Se o Ministério do Turismo foi ágil, capaz de amenizar o efeito da crise mundial, focando no turismo doméstico, estamos enfrentando problemas sérios na promoção internacional com uma atuação tímida da Embratur, contrapondo a gestão anterior de Eduardo Sanovicz.

Amarrada a um plano estratégico desenvolvido há seis anos pelo consultor espanhol Joseph Chias, para um mundo que sofreu inúmeras transformações. Não houve correção de rotas. É como se o Chias fosse o presidente da Embratur de fato.

A sua presidente, Jeanine Pires, que foi boa diretora de Sanovicz parece não equilibrar as rotinas de presidir o órgão e manter as rédeas da atividade fim. Falta no instituto exatamente a segunda pessoa de comando.

O Rio foi quem deu o primeiro alerta. Enquanto o ministério estimulava o turismo doméstico de forma rápida, o órgão de promoção agia como um paquiderme assistindo a tsunami chegar sem mover um músculo. Foi necessária a intervenção do ministro Luiz Barretto, que reuniu as lideranças locais como Paulo Senise, do Rio Convention & Visitor Bureau, e Roberto Dultra, da Bito (Brazilian Incoming Travel Organization).

No exterior, o Brasil já abriu mão de dois mil metros quadrados de feiras internacionais. Se retrai ao invés de avançar, cedendo as preciosas reservas nos pavilhões para os concorrentes. Os fornecedores internacionais dessas feiras estão com faturas não quitadas. Existe um risco de colapso e briga jurídica. Em pleno período pré-Copa e na iminência de conquistar as Olimpíadas de 2016, estamos andando de ré ao invés de avançar.

Nessa contramão, aparece o WTTC, com uma série de gastos ainda não justificados e revelados pelo JB no último dia 3. A ex-ministra Marta Suplicy, por escrito, declinou do convite para sediar o evento por considerar a equação de retorno e investimento. A Embratur foi em frente e liberou R$ 2,5 milhões. O gasto total beirou R$ 10 milhões. Aparecem agora as relações da empresa de familiares próximas da presidente da Embratur e do resort Costão do Santinho, que foi sede do WTTC; a contratação da própria agência de viagem da responsável pelo convênio; uma servidora do instituto que em março pede exoneração e vira coordenadora do evento. Com o título À mulher de César não basta ser honesta...tem de parecer honesta!, o Jornal de Turismo (www.jornaldeturismo.com.br) faz um longo relato sobre essas coincidências. São fatos concretos que precisam se explicados, até por o evento ter tido a presença do próprio Presidente da República.

Se a atuação fosse parecida com o da ApexBrasil não estaríamos perdendo espaço. Vivemos um momento internacional de respeito ao Brasil e é lamentavel que a Embratur hoje com apenas 50 servidores do seu quadro próprio e com um exército de terceirizados esteja na contramão. O paradoxo é que o próprio presidente Lula e o ministro Barretto sabem que é hora de pisar no acelerador na promoção internacional e a presidente do instituto não tira o pé do freio.

* presidente nacional da Abrajet (Associação Brasileira de Jornalistas de Turismo), diretor do Jornal de Turismo e Membro do Conselho Nacional de Turismo.