Associação dos blocos enfrenta o Ecad

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Ricardo Schott, Jornal do Brasil

RIO - A proposta de pagar direitos autorais pelas músicas tocadas na folia de rua dos blocos nos fins de semana foi rechaçada e virou motivo de piada. No dia 5, o Jornal do Brasil anunciou o envio de um kit polêmico, por parte do Escritório Central de Arrecadação e Distribuição de Direitos Autorais (Ecad), a uma mala direta de 7 mil nomes (entre eles produtores e músicos), para lembrar a necessidade do pagamento de direitos autorais mesmo por parte dos blocos que desfilam na rua, sem cobrar ingressos. Com isso, a organização conseguiu conquistar mais um inimigo.

Nós desfilamos de graça, não há lucro algum envolvido. Soube do kit até pelo Jornal do Brasil, mas nada chegou até nós diz Marcelo Martins, intérprete do samba do bloco Calma Calma Sua Piranha, que desfilou domingo na Rua Visconde de Caravelas, em Botafogo. Acho que é válido que os blocos sejam fiscalizados por questões como volume de decibéis, ou mesmo por desordem pública. Mas nós somos um bloco familiar, de amigos, nem há problemas aqui quanto a isso.

O mesmo diz Gabriela Cordeiro, diretora do bloco Bagunça Meu Coreto, que se apresenta (onde mais?) num coreto na Praça São Salvador, em Laranjeiras.

Não recebemos esse kit diz Gabriela, cujo bloco também não chegou a receber os banheiros químicos que boa parte dos desfiles deste ano ganhou, para evitar que os foliões urinassem na rua. Essa hipótese nem sequer nos foi apresentada.

Para que não haja problemas com tais pagamentos, boa parte dos blocos cariocas está privilegiando repertório próprio. Os pertencentes à Sebastiana, associação de blocos do Rio, por exemplo, têm essa prática. Ainda assim, a presidente da associação, Rita Fernandes, diz que falta flexibilidade ao Ecad.

Os blocos de rua são uma manifestação espontânea da população, que não envolve qualquer fim lucrativo. Eles são folia, não atividade econômica afirma.

O Monobloco diz já ter entrado em contato com o Ecad antes que fosse procurado pela organização. Mas seu caso é especial se comparado ao dos blocos de rua.

Passamos o ano inteiro fazendo shows de covers de sambas e clássicos do carnaval. Nós desfilamos na rua também, mas semanalmente estamos fazendo shows pagos. Precisamos ter cuidado com isso, até para podermos forçar os contratantes a pagar o Ecad diz Maria Clara Ferreira, empresária do Monobloco.

A empresária ressalta que, como o líder do Monobloco, Pedro Luís, também desenvolve atividades como compositor, e isso o força ainda a ficar ainda mais atento ao assunto.

Acho que, como somos um bloco grande, pagamos um valor coerente com nosso trabalho.

Clara informa que os problemas que o Monobloco enfrenta são outros.

Temos que nos acostumar com a nova prefeitura e com a subprefeitura, que têm um esquema completamente diferente de trabalho. Tínhamos já um modus operandi e encontramos vários obstáculos.