Famílias Góes e Capiberibe continuarão dominando política no Amapá

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Alex Rodrigues, Agência Brasil

MACAPÁ - A vitória de Roberto Góes (PDT) na disputa pela prefeitura de Macapá (AP) consolida seu tio, o governador Waldez Góes (PDT), como uma das principais lideranças políticas do estado. A derrota de Camilo Capiberibe (PSB), no entanto, não torna desprezível a força eleitoral de sua família. Para o cientista político Raimundo Lima Brito, as duas famílias continuarão sendo peças decisivas, no Amapá, nas eleições de 2010, quando serão escolhidos os novos governadores, deputados e senadores.

- O resultado de ontem (domingo) consolida a liderança do governador. Entretanto, há ainda uma manifestação muito grande em prol da família Capiberibe. Esse é o cenário que irá amadurecer para as eleições majoritárias, requerendo uma habilidade muito grande dessas duas forças junto às suas militâncias - avaliou Brito, que dá aulas na Universidade Federal do Pará.

Para Brito, a expressão de que o PSB é coisa do passado , dita por Roberto Góes em sua primeira entrevista após eleito, é um exagero que deve ser atribuído à euforia da vitória.

- Me reservo o direito de analisar de outra forma. A diferença de menos de seis mil votos, em uma capital, deve preocupar a quem pretende disputar uma eleição majoritária. No interior, a família Capiberibe tem eleitores fiéis.

De um total de 177.217 votos válidos, a diferença entre Góes e Capiberibe foi de 5.899 votos, ou 3.32%.

Para o cientista político, foi justamente a fidelidade dos eleitores aos Capiberibes e a Waldez Góes que proporcionou que PSB e PDT colocassem em xeque partidos como o PT, do atual prefeito João Henrique Pimentel, e o PMDB, do senador José Sarney.

- A projeção do PSB e do PDT no estado se deve à correlação de forças dos grupos políticos liderados pela família Capiberibe e pela família Góes. São partidos de pequeno ou médio porte, mas que congregam uma série de forças dinâmicas da sociedade civil amapaense. E essa será uma dinâmica que se repetirá nas eleições para o governo do estado, em 2010 - avaliou Brito.

O cientista político considera que após ver seu sobrinho ser eleito graças ao seu apoio e ao de parlamentares que se uniram ao PDT, Waldez deverá tentar uma vaga no Senado. E tentar eleger o atual presidente da Assembléia Legislativa Estadual, deputado Jorge Amanajás (PSDB), como seu sucessor à frente do governo estadual. A esposa de Waldez, Marília Xavier Góes, deve se candidatar ao cargo de deputada estadual.

O cientista político considera ainda negativo o alinhamento partidário entre o futuro prefeito e o governador. - Acho preocupante, pois deixa de existir uma correlação de forças ideológicas.

Ele disse também que, no campo das propostas, os projetos de governo de ambos os candidatos eram muito semelhantes.

- Durante os debates, os dois mostraram as mesmas fragilidades ao não conseguir traduzir, verbalizar, suas propostas. Apesar de ambas as propostas serem muito boas e aplicáveis, elas também eram muito semelhantes e acabaram parecendo inócuas.

Brito, contudo, considera que se Camilo Capiberibe tivesse ganho a eleição também acabaria se aproximando de Waldez Góes. Segundo ele, essa aproximação é uma característica da história política amapaense, mesmo quando o município e estado são administrados por partidos diferentes.

- A disputa costuma se acirrar durante os pleitos. Depois, sempre ocorre uma convergência de interesses.

Para Brito, a participação política da sociedade é a única maneira de evitar que o poder público, em qualquer situação, sirva a apenas determinados grupos políticos.

- O ativismo social serve como instrumento de pressão. Serve para cobrar que os governos atendam às demandas dos segmentos que se sentem excluídos do processo de cidadania.