Acordão de vereadores para trabalhar só uma vez por semana
Renata Victal, Jornal do Brasil
RIO - Foi em um acordo de cavalheiros, de boca, que 48 vereadores cariocas que disputam a reeleição decidiram votar os projetos mais importantes da Casa, aqueles que exigem maioria absoluta, nas sessões de quarta-feira. Não fosse o pleito que se aproxima, as sessões aconteceriam às terças, quartas e quintas-feiras. Nesta quarta-feira, 32 de 49 edis compareceram à sessão, mas, o que chamou mesmo a atenção não foi o quórum reforçado em plena campanha, mas o fato de que pelo menos dois deles assinaram, ou ao menos tentaram assinar, o livro de presenças após o término da sessão extraordinária.
Foi o caso de Jorginho da SOS (DEM), que chegou no plenário quando o livro já havia sido recolhido, e de Théo Silva (PMDB), que assinou ao lado da repórter. Eles não votaram nenhum dos 32 projetos aprovados nesta quarta porque simplesmente não estavam presentes no plenário. Ao serem questionados, o rebuliço se instalou no plenário, e a reportagem do JB foi convidada, de forma educada, a se retirar do local.
Antes, por quase 10 minutos, um assessor parlamentar do vereador Jorginho da SOS tentou convencer a repórter de que seu patrão não estava fazendo nada demais, afinal o regimento interno da Casa permite , repetiu pelo menos seis vezes. Mais tarde, quando desceu de seu gabinete, o próprio vereador se defendeu.
Quando desci, a sessão tinha acabado, mas eu estava trabalhando no meu gabinete, recebendo pessoas justificou Jorginho da SOS. Na minha opinião todos os vereadores deveriam votar e cumprir seu papel todos os dias, mas não sou eu que decido isso.
O vereador Théo Silva, o único que não tenta reeleição por preferir assumir os negócios da família, foi abordado pela reportagem, mas saiu do plenário assim que assinou o livro e não foi mais localizado.
Conveniente para todos
Alguns dos edis que permaneceram na Casa após a votação manifestaram suas opiniões sobre o tema. Silvia Pontes (DEM) considerou absurda a atitude de seus colegas, apesar de reconhecer que esta é bastante comum.
Eu gostaria de mudar o regimento interno porque não é justo que um vereador que não tenha participado da sessão possa assinar o livro de presença depois argumenta Silvia. Há casos de vereadores que assinam o livro no dia seguinte. Venho todos os dias e acho que todos deveriam fazer o mesmo.
O tucano Luis Antônio Guaraná pensa de forma semelhante sobre a assinatura do livro de presenças após o término das sessões e comenta o acordo selado para permitir que todos possam fazer suas campanhas.
Assinar depois da sessão é uma vergonha assinala Guaraná. A sessão ordinária permite que um vereador use o microfone, com tema livre, por duas horas. Quando isso acontece os outros vereadores vão embora porque precisam fazer suas campanhas. Ficou acordado que faríamos sessões extraordinárias às quartas porque rende mais.
Presente no plenário enquanto seu par Jorginho da SOS argumentava com a reportagem, Nadinho de Rio das Pedras fez questão de ressaltar que havia agido de outra forma: Assinei a sessão ordinária e extraordinária. Estava trabalhando.
O burburinho na Câmara dos Vereadores foi tamanho que Rogério Bittar (PSB) abordou a reportagem no hall do Palácio Pedro Ernesto: Soube que disseram que assinei depois, mas isso não é verdade. Eu estava presente até porque um projeto meu estava em pauta justificou o vereador, que sequer teve sua presença contestada.
