Brasil está sólido para enfrentar crise
"O setor de construção civil vai sofrer com a crise imobiliária dos Estados Unidos. Mas nem todo mundo está bichado", afirmou.
Segundo Mantega, os países emergentes, inclusive o Brasil, estão mais sólidos para enfrentar a crise. Talvez mais do que os países avançados, envolvidos diretamente com a quebradeira dos fundos que possuem créditos imobiliários de alto risco. O ministro lembrou que, ao contrário das outras turbulências financeiras mundiais, desta vez nenhum país emergente precisou recorrer ao Fundo Monetário Internacional (FMI).
Mantega comemorou o fato de nenhum banco de país emergente ter quebrado, ao contrário de algumas instituições financeiras dos Estados Unidos e da Ásia.
"A crise pode durar vários dias ou várias semanas. A diferença dessa turbulência em relação às anteriores é que a maior parte dos países emergentes está mais sólida, o Brasil entre eles. Tanto que ninguém foi pedir ajuda ao FMI", disse. "Os países emergentes estão em pé de igualdade em relação aos países avançados. Estão apenas sofrendo flutuações, o que é normal". E viu vantagem na valorização do dólar, por beneficiar os exportadores, principalmente os produtores rurais. Ele rechaçou a idéia de que a alta na cotação da moeda americana, por causa da saída de capital do país, seja negativo. Para o ministro, o importante é o saldo de entrada de moedas, que continua positivo.
Hoje o dólar fechou na pior cotação em três meses e chegou a ultrapassar os R$ 2. O fluxo de câmbio no mercado de capitais ficou negativo em US$ 201 milhões nos oito primeiros dias de agosto, segundo o relatório de fluxo cambial do Banco Central. Mas em agosto do ano passado, o saldo foi negativo em US$ 2,5 bilhões. Se considerado a entrada de dólares do comércio exterior, o saldo foi positivo em US$ 3,3 bilhões nos oito primeiros dias do mês.
"O dólar foi a R$ 2, mas há um ano estava a R$ 2,2. Os agricultores exportadores estão felizes. A economia e o mercado consumidor crescem vigorosamente".
Mantega manteve também o discurso de que não há reflexo da crise financeira na economia real, principalmente no Brasil em que o crescimento está ancorado no aumento da demanda interna e dos investimentos. Citou como exemplo o aumento de 13% das vendas do varejo, mostradas na Pesquisa Mensal do Comércio.
"Estamos recebendo os reflexos dessa crise como os outros países. Reflexos passageiros, que não afetam o nosso crescimento. Temos um dinamismo próprio. O máximo que poderia acontecer seria um saldo comercial menor, mas continuamos com saldo de capitais muito grande, mesmo nos dias de crise", concluiu.
(Redação - JB OnLine)
