PMDB indica Zimmermann para ministério

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BRASÍLIA/RIO DE JANEIRO, 24 de maio de 2007 - Depois de ser avisado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que teria direito de indicar o novo ministro de Minas e Energia, o grupo de senadores do PMDB encaminhou ao Palácio do Planalto o nome de Márcio Pereira Zimmermann, secretário de Planejamento e Desenvolvimento Energético da pasta. Trata-se de um quadro técnico, na linha defendida pela chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff.

A ministra chegou a articular a indicação do presidente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), Maurício Tolmasquim, e a efetivação do interino Nelson Hubner no comando do ministério, considerado essencial para tirar do papel obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). A expectativa é de que Lula oficialize a nomeação de Zimmermann até amanhã. Em linha com a cautela recomendada a candidatos a ministro, ontem o escolhido pelo PMDB do Senado disse desconhecer qualquer indicação.

E garantiu não ter sido sondado por ninguém para comandar o Ministério de Minas e Energia. "Eu sei que esse assunto está sendo tratado, mas isso é coisa para a semana que vem."

As negociações para escolha do novo ministro começaram na terça-feira, logo depois do pedido de demissão de Silas Rondeau. Os padrinhos políticos do ex-ministro - os senadores José Sarney (PMDB-AP) e Renan Calheiros (PMDB-AL), presidente do Senado - tinham pressa para indicar um novo ocunpante para a pasta. O próprio Rondeau ajudou nas discussões. Ontem, o ex-ministro se reuniu com Sarney e Renan na residência oficial do presidente do Senado.

Além de Zimmermann, o PMDB cogitou indicar José Antonio Muniz Lopes, que presidiu a Eletronorte, e Astrogildo Quental, que foi diretor financeiro da estatal, para o ministério. José Lopes foi considerado um nome de difícil aprovação, e Astrogildo um técnico com pouco respaldo.

A pasta de Minas e Energia é um dos endereços mais cobiçados da Esplanada dos Ministérios. Somente em obras do PAC, a estimativa de investimentos é de mais de R$ 200 bilhões até 2010. Em 2004, com a saída de Dilma Rousseff para assumir a Casa Civil, a escolha do ministro foi entregue ao senador José Sarney. Agora, novamente o senador será o padrinho político do sucessor de Silas Rondeau. A sinalização do PMDB da Câmara de que não brigará por esse espaço da Esplanada dos Ministérios significa muito mais do que uma manifestação de união partidária.

Os deputados peemedebistas esperam, com a iniciativa, ganhar fôlego para emplacar aliados nos comandos de estatais do setor elétrico. A bancada fluminense do PMDB, por exemplo, trabalha pela nomeação do ex-prefeito Luiz Paulo Conde para a presidência de Furnas. Os deputados também estão de olho, como os petistas, na Eletrobras e na Eletronorte.

Se confirmado, Zimmermann terá a missão de retomar a construção da usina nuclear Angra 3, considerada estratégica para garantir o abastecimento energético do país a longo prazo. Conforme antecipado por este jornal, o presidente Lula decidiu levar adiante o projeto. Só falta o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) anunciar de forma oficial a empreitada.

(Tina Vieira e Ricardo Rego Monteiro - Gazeta Mercantil)