Bolívia poderá vender gás para o Chile

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Um novo referendo poderá abrir a venda do gás para o Chile, reconheceu o vice-ministro boliviano das Relações Econômicas Internacionais, Pablo Guzmán Laugier, segundo a imprensa local deste domingo.

Guzmán disse que o governo boliviano está disposto a avançar numa integração em todas as áreas com o Chile, embora tenha esclarecido que antes de iniciar uma negociação energética deve-se levar em conta a limitação decidida pelo "referendo do gás em 2004", destacou o jornal La Prensa.

Segundo esta consulta popular, feita em 18 de julho daquele ano, a maioria da população boliviana respondeu com um "sim" à pergunta sobre utilizar o gás como recurso estratégico para se conseguir uma saída útil e soberana para o Oceano Pacífico.

A Bolívia pede ao Chile uma saída soberana ao Pacífico, perdida junto com 120.000 km2 de territórios em uma guerra que confrontou as duas nações e envolveu o Peru entre 1879 e 1884.

"Deveríamos fazer uma nova consulta ou votar no âmbito da nova Constituição (redigida na Assembléia Constituinte), mas deve ser uma decisão soberana do povo. Além disso, temos pendente o tema marítimo, que deve ser resolvido previamente", argumentou, ao esclarecer que esta possibilidade não foi considerada pelo governo.

Na sexta-feira, ao fim de uma reunião boliviano-chilena de vice-chanceleres, o ministro das Relações Exteriores, David Choquehuanca, disse que o governo de Evo Morales não fechou a possibilidade de negociar com o Chile a venda do gás em troca de uma saída para o Oceano Pacífico.

No entanto, afirmou que o tema não foi apresentado na reunião de vice-chanceleres, celebrada neste dia em La Paz e que "gás por mar" não faz parte da agenda sem exclusões de 13 pontos que os dois países delinearam em julho de 2006.

Choquehuanca disse que "não só o Chile está atravessando uma crise energética, mas (também) o mundo atravessará uma crise energética" e que o Chile é um "mercado interessante" para a Bolívia, que conta com reservas provadas e prováveis de gás de 48,7 trilhões de pés cúbicos (1,55 bilhão de m3).