Doping genético: do alerta à realidade
Agência JB
RIO - Terapia genética que melhora o desempenho de atletas e ainda não pode ser detectada com segurança em exames antidoping será tema de congresso médico do Pan, semana que vem no Rio, com presença de maior autoridade mundial no assunto
O doping genético - uso da terapia genética para aumentar artificialmente a massa muscular e a capacidade pulmonar de atletas, e para o qual a Agência Mundial Antidoping começou a chamar a atenção ainda em 2003, quando o incluiu em sua lista de práticas proibidas - seria uma das vedetes dos Jogos Pan-Americanos do Rio, em julho?
O professor Eduardo De Rose, Diretor do Departamento de Antidoping do Comitê Olímpico Brasileiro (COB) e Presidente da Comissão Médica da Organização Desportiva Pan-Americana (Odepa), acredita que ainda não, salvo raras exceções.
Hormônio é fabricado pelo rim, mas há fomas sintéticas A eritropoietina é um hormônio secretado pelo rim e que é responsável por estimular a produção das células vermelhas do sangue. E quanto mais hemácias, maior a capacidade de oxigenação do organismo e, conseqüentemente, mais fôlego na hora de praticar um esporte por isso alguns esportistas fazem uso de formas sintéticas do hormônio. Mas seria possível detectar a EPO como doping, uma vez que o hormônio é também fabricado pelo corpo humano? A rigor, se o nível de hemácias ultrapassa o que até hoje se observou como possível no corpo humano, pode-se desconfiar e investigar mais a fundo. - A resposta da história tem sido que toda técnica de doping tem encontrado uma resposta no antidoping. Assim foi com os anabolizantes, com a testosterona e com a EPO afirma o médico. Maior especialista mundial no tema estará no Rio semana que vem Segundo De Rose, ao listar o doping genético em 2003 entre as modalidades de fraude na competição desportiva, a Agência Mundial Antidoping fez nada mais do que sinalizar para uma possibilidade futura, proibindo eticamente sua prática e estimulando as pesquisas para um dia se poder detectar esse tipo de procedimento, o que já está sendo feito. - Se observarmos as estatísticas dos últimos quatro anos, o doping mais usado é o anabólico esteróide, seguido pelos estimulantes diz De Rose, que é uma das presenças confirmadas semana que vem no Congresso Médico dos XV Jogos Pan-Americanos, que reunirá médicos dos comitês olímpicos dos 42 países participantes e terá como destaque na discusão do doping genético o especialista americano Theodore Fridmann, maior autoridade mundial no assunto.
