Más condições de trabalho geram greve nas obras do Pan

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Frederico Zartore, Agência JB

RIO - Cerca de 200 trabalhadores entraram em greve nesta sexta-feira, paralisando parcialmente as obras do Estádio João Havelnge, o Engenhão, uma das principais instalações esportivas para os Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro. Os trabalhadores reivindicam melhores condições de trabalho solicitando melhorias nas instalações sanitárias, condições de higiene, alimentação, além de água filtrada e gelada.

Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria da Construção Pesada (SITRAICP), a manifestação foi um alerta, mas os operários garantem que não voltarão às atividades se as condições de serviço não melhorarem.

- O que aconteceu hoje serviu como uma lição para o Consórcio. Colocamos tudo isso em um documento que será assinado por representantes do Consórcio, do Sindicato e dos trabalhadores. Foi dado prazo de uma semana para atenderem tudo e neste período os trabalhos vão seguir normalmente. Se daqui a uma semana nada for feito, acredito que os trabalhadores vão a mobilização afirma um dos diretores do Sindicato, Sérgio Luís Silva da Fonseca.

A Empresa Municipal de Urbanização (Riourbe), responsável pela gestão das obras municipais, desconsidera a reivindicação feita pelos operários alegando que as obras obedecem rigorosamente as exigências da legislação trabalhista em vigor. O órgão acusa o Sindicato de fomentar o movimento dos operários para promover uma solicitação geral da categoria pelo aumento do dissídio salarial.

O diretor do Sindicato, Erinaldo Pedro Soares, nega a acusação e afirma que a paralisação é apenas no sentido de melhorias nas condições de trabalho.

- Num calor desses de 38 graus, imagina o trabalhador ter que tomar água quente? Eu discordo totalmente. Eles (Riourbe) dizem isso porque não estão sofrendo na pele o que os funcionários estão passando. Lá está todo mundo no ar-condicionado, queria ver eles aguentarem um dia aqui lembra.

De acordo com Soares, trabalhadores de outras obras dos Jogs Pan-Americanos também estariam trabalhando sob más condições e estariam propensos a também entrar em greve. No mês passado, um operário morreu em decorrência de uma queda dentro do estádio.

Orçada em R$ 350 milhões, a obra do Engenhão é de responsabilidade da Prefeitura do Rio de Janeiro. O Estádio, que terá capacidade para 45 mil pessoas, conta com 2.300 operários nos canteiros de obras e a previsão de entrega é para o mês de maio.