A farra dos gringos com as mulheres

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Agência JB

RIO - Os empresários canadenses Carl Stanley, 35 anos, e Henry Pasth, 34, encontraram o paraíso na terra, em meio a uma multidão de foliões na Passarela do Samba.

Pagaram R$ 6.300 por seis frisas na fila A do Setor 9 e, para não sobrar lugar, convidaram quatro mulheres - duas morenas e duas mulatas, tonalidades de pele raras na fria e comportada Montreal. As meninas, sempre sorridentes e educadas, deram a dica: foram recrutadas em Copacabana, há duas semanas, por um gerente de hotel.

- Rio is wonderful! The women are wonderful!

Stanley repetiu as exclamações diversas vezes na passagem da Estácio de Sá. Fez o mesmo quando o Império Serrano passou e, ao se deparar com a Mangueira, não hesitou em mudar o repertório. Extasiados com o frenesi das escolas e alucinados com a evolução das quatro mulheres nas frisas, os canadenses pensaram em pular a divisória que dá na pista, mas foram impedidos pelas meninas:

- Pagar mico é dose! Tem que manter a calma. Se ele quiser sair numa escola, eu dou um jeito para desfilarem no sábado das campeãs - explicou Raquel.

Ao contrário dos canadenses boquiabertos com o desfile das escolas - é a primeira vez que eles vêm ao Brasil - um grupo de chineses preferia tirar fotos, fotos e mais fotos. Quando a Mangueira entrou na Avenida, todos preparavam as máquinas como se fossem fotógrafos profissionais. Chegaram ao ponto de procurar os melhores ângulos. Na parte contrária e paralela à pista de desfile, onde ficam os acessos às frisas e camarotes, dois americanos lanchavam no Bob's quando ouviram a bateria da Viradouro.

- Quatro amigas vão desfilar nessa escola e depois vão assistir ao resto do desfile (mais duas escolas) com a gente. Daqui vamos para um lugar mais reservado para relaxar. Carnaval me deixa cansado - revelou Dunkee Smiths, engenheiro aposentado, que visita o Rio pela terceira vez.

Menos eufóricos que os canadenses, os americanos reconhecem que a imagem da cidade no exterior está associada à sensualidade do corpo devido ao carnaval. O apelo, segundo eles, começa nas agências de viagens que oferecem os pacotes sempre enaltecendo as geografias da cidade e as curvas de suas habitantes.

- Quem disser que o Rio não é sensual é hipócrita - finaliza Smiths.