Rainhas do Rio correm atrás do samba e de truques de beleza

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RIO - Carioca com samba baiano no pé, Preta Gil capricha para acertar o passo como rainha da bateria da Mangueira. Não tão famosa quanto a filha do ministro da Cultura, a dançarina de axé Gracyanne Jacobina Barbosa, capa da Playboy deste mês, também corre atrás do samba para não fazer feio como rainha do Salgueiro.

- É muita diferença o samba carioca do baiano. O desafio de Preta é sambar como carioca - disse Fabiana Oliveira, professora há dez anos e duas vezes rainha da Mangueira. Ela já deu três aulas a Preta Gil e vai viajar com ela para Salvador, durante cinco dias, para 'não perder tempo'.

A rainha do Salgueiro, dançarina do grupo Tchakabum, admite que está ensaiando bastante para sua estréia na avenida, incluindo aulas particulares três vezes por semana.

- O samba do axé é muito diferente do samba de Carnaval, quando a gente tem que mexer muito os braços, se comunicar com a platéia, com o júri. O glamour é diferente - disse Gracyanne, natural de Campo Grande (MS), há nove anos morando no Rio.

Os sacrifícios para ter uma performance perfeita extrapolam os ensaios e aulas particulares. Além da beleza da fantasia, rainhas e destaques não abrem mão de truques para fazer uma aparição irretocável.

Entre os truques para disfarçar gordurinhas e outros excessos, Gracyanne garante que não usará nem meia-calça, nem óleo para desfilar. Mas malha duas horas por dia, faz massagem para prevenir celulite e incluiu mais carboidratos em sua dieta, já que sambar gasta muita energia e ela não quer emagrecer mais.

A professora Fabiana contou que muitas mulheres usam laquê de cabelo no corpo para deixar a pele mais durinha, ou óleo para esconder estrias e outras imperfeições, embora ela não acredite no resultado.

- Eu não vejo diferença, já tentei fazer, mas se tiver que aparecer celulite, vai aparecer. Não tem disfarce, só (o cirurgião) Ivo Pitanguy mesmo - disse.

Sobre sua aluna, ela afirma que Preta Gil tem corpo para desfilar de biquíni de passista, 'como uma mulata qualquer'.

- No caso da barriga, ou tem ou não tem. E Preta não tem. Podem falar o que for, mas ela é lisinha. Fiquei boba, não tem barriga nenhuma mesmo - disse.

A pintura corporal é outro artifício que funciona tanto para quem quer mostrar as curvas, ou escondê-las. A modelo ngela Bismarchi, viúva de um cirurgião plástico e casada com outro, é madrinha da bateria da Porto da Pedra e sairá toda pintada, apenas com um adereço na cabeça.

- O que chama atenção no Carnaval é a nudez, e a pintura se aproxima disso, as pessoas se perguntam 'está pelada ou está pintada?' - disse o artista Wellington César Veríssimo, que trabalha há 12 anos com pintura corporal.

Segundo ele, também dá para 'disfarçar muita coisa com a pintura'. 'Você pode levantar o seio, arrumar o bumbum, porque acaba sendo uma ilusão de ótica. Só não pode estar muito gordo', afirmou Veríssimo.