Show on-line Colores, de Martha Galdos, abre mostra Aldir Blanc da Fundação Ema Klabin

Com uma fusão de ritmos sul-americanos, a cantora e compositora peruana oferece aos internautas do Brasil e do mundo uma rara oportunidade de transitar pela música latina contemporânea, com generosas pitadas de jazz, world music e, claro, música brasileira raiz

Por JORNAL DO BRASIL

Martha Galdos

Na próxima sexta (23) às 19h, Martha Galdos apresenta o show Colores, abrindo a programação da Mostra Aldir Blanc da Fundação Ema Klabin. O show contará no palco com a arte urbana de Binho Ribeiro, artista gráfico que vem apresentando uma exposição na fundação desde 2020. A cantora já vinha apresentando espetáculos que dialogam com as artes visuais, entre eles, com a pintor Enrique Galdos Rivas, pai da artista.

O espetáculo é parte da programação do ProAC Expresso LAB da Secretaria de Cultura e Economia Criativa de São Paulo (Lei Aldir Blanc) e é o quinto dos sete shows programados para a turnê virtual de Colores, iniciada em 2 de fevereiro, dia do aniversário da artista.

A parceria com Dante Ozetti é um dos pontos fortes do show. O compositor e arranjador foi diretor da versão presencial de Colores, cuja turnê iniciada em 2020 na rede Sesc, em São Paulo, foi interrompida devido à pandemia da covid 19. O repertório inclui canções consagradas da música latina e faixas do primeiro disco da cantora, ‘Respiraré’ (2016), produzido pelo pianista e arranjador peruano Pepe Céspedes (Susana Baca), e Leonardo "Gigio" Parodi, aclamado pela crítica brasileira e latino-americana.

Segundo o jornalista e biógrafo Júlio Maria ("O Estado de São Paulo"), “Martha faz do palco a sala de casa e do repertório de seu álbum 'Respiraré', a própria biografia. Do Brasil, anda em campo minado ao pensar em uma versão para 'Upa Neguinho', definitiva na voz de Elis Regina, mostrando a que veio. A divisão rítmica que tira a canção de seu lugar mais confortável e que faz valer a releitura é a de um típico festejo peruano. “

Spoiler

“Disseram-me um dia que minha vida é cheia de curvas como o rio Amazonas, que é uma de minhas referências hereditárias. Perguntar a quem pertence o rio é o mesmo que indagar a quem pertence o ar. Agora esse rio chega ao oceano e se torna mar. E esse o caminho que escolhi norteia a produção autoral que começo a contar no primeiro single que vou lançar, em São Paulo, daqui alguns meses, sob a produção de Dante Ozzetti”, ressalta a cantora.

A matriz das três cores

A aquariana Martha trafega pelos ritmos folclóricos do Peru, fortemente influenciada pelos sons do Brasil, compondo a “matriz de três cores”: afro (landó, panalivio, festejo), andino (huayno) e amazônico (cumbia). Ela conta que sua menina interior a levou a trocar a carreira de comunicadora pela arte aos 27 anos (para sorte dos ouvidos mais apurados).

O contato com a música veio de casa, ao lado do pai, da mãe e da irmã, todos cantores. Com a vocação natural reforçada por aulas de canto, artes cênicas e clown, Martha ganhou o mundo e se apresentou em diferentes países, incluindo Peru, Brasil, Panamá e China. Participou de shows ao lado de nomes como Luís Represas (Portugal), Richard Barshay (percussionista de Esperanza Spalding, Estados Unidos), além dos brasileiros Dante Ozzetti, Patrícia Bastos, Simone Sou e Renato Braz.

Mais que um show online, uma experiência

“Colores traz referências do folclore peruano, permeando histórias de resiliência de pretas e pretos e sua miscigenação com a mestiçagem espanhola e indígena, o poder e intensidade do feminino, a celebração aos povos originários do continente e a liberdade inerente ao ser humano”, diz Martha, cujos agudos chegam a remeter às flautas utilizadas na música tradicional andina.

Segundo ela, o arco-íris, simbolizado no show, expressa na cosmovisão do povo andino um novo tempo, um sinal anunciador de grandes mudanças. O trabalho ainda faz alusão ao Rio Amazonas que nasce nos nevados do Peru e vai até o Brasil, fazendo uma ponte entre os dois países, rompendo fronteiras e barreiras culturais.

A artista canta acompanhada por músicos do Peru (Juan Humberto Manrique, violão e guitarra), Brasil (Marcus Simon, percussão) e Colômbia (Gustavo Martínez, baixo). A equipe de cenógrafos e técnicos do Espaço Coletivo criou um cenário com efeitos de luzes, cores e magia, enriquecido com projeções das obras do pai da artista, conhecido como “El Mago del Color”, inspirados na cultura andina, levando o espectador a uma experiência única e sensorial em cada acorde.

Serviço: Colores: show on-line (60 minutos) abrindo a programação da Mostra Aldir Blanc, da Fundação Ema Klabin / Quando: 23/04 / Onde: no canal da cantora no YouTube. / A mostra Aldir Blanc da Fundação Ema Klabin acontece de 23 a 27 de abril. Confira a agenda no site.