‘Galeria Futuro’, tema sério abordado com leveza’
Filme de Fernando Sanches e Afonso Poyar estreia nesta quinta feira (18) nos cinemas
O filme, que faz conexão entre passado e presente, parte de um tema sério – a decadência do comércio no centro das grandes metrópoles – utilizando um viés leve e unindo vários gêneros do cinema: comédia, ação, musical, romance e um pouco de fantasia.
A história segue Valentim (Marcelo Serrado), Kodak (Otavio Müller) e Eddie (Ailton Graça) que são amigos de infância e lojistas da Galeria Futuro, um centro comercial em Copacabana que ostentava luxo e pompa no passado e hoje é um lugar triste e decadente.
Com muitas dívidas e prestes a falir, a administração da galeria é surpreendida por uma proposta milionária de um pastor que quer transformar o espaço em uma igreja evangélica. Os três amigos ficam destruídos com a possibilidade de perder a tão amada Galeria Futuro, mas a sorte deles muda quando acham um baú cheio de uma substância alucinógena dos anos 70, capaz de realizar desejos de quem a consome.
Contando com a ajuda de Paula (Luciana Paes), uma lojista recém-chegada, eles criam um plano mirabolante e surreal para tentar salvar a galeria e impedir sua venda.
“Galeria Futuro” é uma história inusitada sobre amizade, nostalgia e evolução pessoal. Os personagens, presos no passado, terão que confrontar o presente, vencer suas limitações e, por mais amedrontador que possa ser, encarar o futuro.
O Jornal do Brasil participou da coletiva de imprensa com os diretores Fernando Sanches e Afonso Poyart e os atores Ailton Graça, Otávio Muller, Marcelo Serrado e Luciana Paes.
Poyart iniciou a entrevista respondendo a uma pergunta sobre a parceria e o relacionamento entre a equipe.
“Foi tudo muito tranquilo. A filmagem foi descontraída, com muita liberdade, a maioria já tinha trabalhado junto”, disse o diretor, complementado por Luciana: “Fui muito bem recebida por todos, ao final da filmagem havia uma relação de passos iguais, éramos uma trupe”, ressaltou a atriz.
Acrescentando dados sobre o relacionamento entre os membros da equipe, Ailton destacou que havia de fato um clima de muita liberdade. “O tempo todo nós palpitávamos no roteiro, dávamos sugestões, foi tudo muito agradável e um aprendizado”, enfatizou.
Sobre o desafio de unir em um só filme tantos gêneros, Poyart afirmou que “o mérito é dos atores, eles que conseguiram essa multiplicidade de uma forma muito rica”.
“Galeria Futuro” faz também uma homenagem ao cinema com referências a filmes cultuados (“Esqueceram de Mim”, “Matrix”, ‘Kill Bill’), e lembra fatos que aconteciam ou começaram nos anos 1980 / 1990, como Sessão da Tarde, filmes alugados em locadoras, cinemas de rua ou a transição deles para os shoppings, peças encenadas ao ar livre e outros do período.
“Queríamos evocar tudo isso de uma maneira divertida, com muitos improvisos, e foi fácil porque toda a equipe estava comprometida com a gente”, lembrou o diretor, manifestando seu otimismo com o lançamento do filme. “As pessoas estão loucas para ir ao cinema, reencontrar presencialmente a arte, justo ela que ajudou muita gente a passar por esse período tão conturbado, enfim, estou bem animado”, afirmou.
Em última análise, “Galeria Futuro” parece trazer um pouco de muita coisa: crescimento, evolução, nostalgia, benefícios e males do progresso, o tempo que não para e a união de um passado já distante com fatos que estão acontecendo agora.
