Tribeca Film Festival anuncia formato híbrido

Eventos virtuais e presenciais em locais ao ar livre nos distritos de Nova York

Por MYRNA SILVEIRA BRANDÃO

Maryam Moghaddam e Alireza Sanifar em 'Ballad of a White Cow'

O Festival de Cinema de Tribeca confirmou a realização de sua comemorativa 20ª edição de 9 a 20 de junho. O evento – que costuma atrair diretores e celebridades – será no formato híbrido com eventos virtuais e presenciais em locais ao ar livre nos distritos de Nova York.

“Conforme Nova York emerge da sombra do covid-19, parece certo reunir as pessoas novamente de maneira presencial para o nosso festival”, disse seu cofundador, Robert De Niro, em um comunicado à imprensa, complementado por Cara Cusumano, diretora do festival e vice-presidente da programação.

“Seja no cinema, online ou ao ar livre, estamos ansiosos para dar as boas-vindas a todos de volta a um festival inovador. Este será o 20º aniversário, e buscaremos manter o espírito de nossos últimos 20 anos, celebrando a comunidade e a narrativa em todas as suas formas”, ressaltou Cusumano.

Os organizadores do evento trabalharão em conjunto com o Departamento de Saúde do Estado de Nova York para garantir todos os protocolos de segurança.

A programação terá 66 títulos de 23 países com 56 estreias mundiais, incluindo o filme de abertura “In the Heights”, de Jon M. Chu, adaptação para as telas do musical homônimo do dramaturgo Lin-Manuel Miranda.

Apesar das dificuldades impostas pela pandemia da covid-19, é uma seleção abrangente com muitos títulos europeus, entre eles os aguardados “Roaring 20’s”, da cineasta francesa Elisabeth Vogler (“Pelas Ruas de Paris”), que em uma única tomada ininterrupta leva os espectadores a viver um dia na vida durante a pandemia; “Vildmaend”, do dinamarquês Thomas Daneskov, sobre um homem em crise de meia-idade que foge de sua família para viver nas montanhas norueguesas, onde caça e colhe, como seus ancestrais faziam há milhares de anos; e o documentário “The Scars of Ali Boulala” (Suécia/Noruega), de Max Eriksson, sobre o prodigioso nome do skate na Suécia.

O destaque da prestigiada “Tribeca Critics’Week” é o drama iraniano “The Balad of a White Cow”, de Behtash Sanaeeha e Maryam Moghaddam – indicado ao Urso de Ouro neste ano em Berlim –, que segue as reviravoltas na vida de uma mulher quando ela descobre que seu marido era inocente do crime pelo qual foi executado.

Uma das atrações da mostra “Movies Plus” – que amplia a experiência do filme através de uma conversa após a projeção com os realizadores – será “Paper & Glue”, do artista plástico e grafiteiro francês JR, documentário com fotos murais em espaços que incluem a fronteira EUA-México, as ruas de Paris e as favelas do Rio de Janeiro.
JR – eleito uma das 100 pessoas mais influentes da revista “Time” em 2018 – é um artista visual que faz exposições livres nas ruas do mundo, colando enormes retratos de pessoas anônimas em lugares totalmente inesperados.

O Festival – fundado por De Niro e Jane Rosenthal após os ataques de 11 de setembro de 2001, como uma forma de levantar o astral da cidade – recebeu nesta edição 11.222 inscrições, e sua seleção prima pela diversidade com muitos filmes dirigidos por mulheres e LGBTQ+.