Reaproveitar e ressignificar
Esse empoderamento de artesãos e de ressignificação de seu papel na construção de uma linguagem artística marca presença na Sala Museologia Social, que mostra parte do acervo do Museu do Artesanato, criado há cinco anos pelo artista em Petrópolis. Chama a atenção a imagem de São Francisco de Assis feita com reaproveitamento de papel, obra do artesão Mário Luís, de Conservatória. O espaço reúne 300 peças produzidas nas comunidades do Rio e em diversas cidades do estado, feitas com reaproveitamento dos mais variados materiais.
Recortes desse trabalho que reaproveita diversos materiais podem ser vistos na Sala Empreendedorismo. O poder empreendedor feminino é representado por uma enorme mandala formada por máquina de costura, tecidos reaproveitados de malotes bancários e caixas de papelão. A instalação artística é um trabalho conjunto das crianças do projeto FavelaArt, do Complexo do Alemão, e do grupo Nós do Ponto Chique, de Padre Miguel. “As obras expõem a realidade dos artesãos, seus anseios e suas expectativas sobre o meio urbano onde vivem. E mostram, com muita sensibilidade, o quanto o artesanato os consola, os valoriza perante a sociedade e, acima de tudo, contribui para o aumento da autoestima”, explica Cocco.
Já a Sala Planeta é dedicada à metarreciclagem de lixo tecnológico, um trabalho que Cocco começou a desenvolver com alunos .da Faetec de Petrópolis. Técnicas tradicionais de artesanato abraçam uma matéria-prima dura e desprovida de poesia. E das sobras de peças de computadores, como teclados, cabos, conectores, parafusos e até cacos de vidro ou acrílico, brotam luminárias feitas com restos de monitores de vídeo e painéis. Placas-mães formam um mapa mundi de 3 metros. “Quando vi essas placas, era muito fácil visualizar uma cidade pulsante”, recorda o artista, que chama a atenção para os hábitos de consumo da sociedade atual e a necessária relação entre meio ambiente e responsabilidade social.
Cocco concebeu para a exposição a realização de oficinas de criação, para provocar o visitante a repensar sua responsabilidade com o meio ambiente e, ao mesmo tempo, fazer parte de um processo criativo compartilhado. “O visitante pode trazer pequenas peças como teclados, mouses, cabos, fios e placas para as oficinas”, avisa.
Entre 22 a 27 de fevereiro, será montado um atelier interativo, denominado Viva o Carnaval Carioca - os visitantes terão a oportunidade de interagir com fantasias e máscaras de carnaval de diversas escolas de samba do Rio, sempre das 13h às 18h e participar de uma oficina de máscaras artesanais.
O processo criativo feito a várias mãos estimula um somatório de sentimentos. Uma teia de componentes que emociona pela criatividade e nos coloca diante das histórias e vivências de artistas anônimos.
Serviço
UM RIO DE SENTIMENTOS – COCCO BARÇANTE
Centro Cultural Correios do Rio de Janeiro (Rua Visconde Itaboraí, 20 – Centro)
Vernissage: hoje, a partir das 17h – De amanhã até 10/3 – ter. a dom., das 12h às 19h – Entrada franca
