Pag. 41 - Heloisa Tolipan

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Em um país com fome e sem educação, não há crescimento em nenhuma espécie, principalmente, cultural. Como meus enredos costumam ser mais históricos do que temáticos, resolvi, então, contar a história da medicina para o povo brasileiro, que pouco a conhece. Acho que está na hora de se descobrir a medicina para se poder cobrar que algo seja feito para mudar. Só há grandes mudanças quando se tem conhecimento.

O trabalho inovador com as cores é um marco de seu Carnaval. Pode adiantar alguma novidade, nesse aspecto, para o ano que vem? — Ao longo de meus muitos anos de Carnaval, comecei a reafirmar que, para mim, as cores são prioridade para o espetáculo visual. Então, antes mesmo de pensar no desenho de uma fantasia, ou de um carro, penso nos tons que irão ter.

Mas, para o ano vem, deixarei um pouco de lado esse dégradé tom sobre tom e partirei para o colorido. O tema já é forte, bem a cara da Imperatriz Leopoldinense, e pretendo compensar a leveza na multiplicidade de cores.

Você é o único carnavalesco brasileiro a ser imortal da Academia de Belas Artes.

Qual seria a arte própria do Carnaval? — Sem sombra de dúvidas, o Carnaval é a maior festa popular do mundo. Nele, podemos projetar grandes iluminadores, pintores e escultores , só que não há uma galeria que mostre isso de forma clara e faça com que nossos profissionais sejam reconhecidos tais quais os artistas consagrados nessas áreas. Até porque, acredito que a arte não tenha fronteiras, mas caminhos, e o Carnaval é um deles. Creio que tenham me escolhido para esse cargo de imortal da Academia de Belas Artes pelo meu longo histórico de carnavais desenvolvidos com propriedade acadêmica sobre o assunto. Meu processo diferenciado de criação nesse meio pode ter influenciado também. Como disse, penso antes mesmo na pintura do que no desenho de um figurino, o que, muitas vezes, funciona como um apelo visual em cima do produto final. Hoje, eu sou integrante da Academia, com muita honra, e estou na luta para que ela possa ter um espaço físico que funcione como sede. O governo deveria olhar com melhores olhos para essa iniciativa de se pensar na arte, pois, de certa forma, não deixa de ser uma defesa a qualidade do que desenvolvemos.

E o que você acha que as escolas mais novas têm de diferente das tradicionais em termos de Carnaval apresentado na Passarela do Samba? — É muito complexo.