O paradoxo do ator
Durante a conversa de 90 minutos, em que o ator estava mais ou menos natural, mas não exatamente afável, bale deixou claro que não gosta de falar de si e do trabalho, mas está tolerando o assédio pelo bem de o vencedor .
Dirigido por david o. russell ( três reis ), o filme é um projeto há muito acalentado por mark wahlberg, que atuou como produtor e ator, na pele de micky ward, outrora campeão de boxe e herói local da cidade de lowell, massachusetts. mas o papel mais interessante da história sobre laços de família sufocantes pertence a bale, que interpreta o treinador e meio irmão de micky, dicky eklund, cuja própria carreira saiu dos trilhos quando passou a usar drogas.
Dicky é um tipo diferente para bale, 36, nascido no país de gales, que interpretou uma série intrigante de personagens perseguidos e introvertidos, até – ou especialmente – quando na companhia de exibicionistas. em o grande truque (2006), de christopher nolan, foi o habilidoso mágico ao lado do ilusionista extravagante de hugh jackman. em 2007, na refilmagem de james mangold do faroeste os indomáveis , interpretou o herói lacônico junto com o ladrão carismático de russell crowe. em inimigos públicos (2009), de michael mann, bale ficou, de novo, com o papel do bom moço menos evidente, como o agente federal em busca do john dillinger de johnny depp. e, nos dois filmes do batman de nolan, batman begins (2005) e o cavaleiro das trevas (2008) – eles estão se reunindo para um terceiro –, bale optou por um super-herói introspectivo, com ou sem uniforme do morcego, satisfeito em deixar a interpretação exagerada aos vilões.
– uma das grandes coisas sobre christian é a incrível falta de ego – observou nolan. – ele compreende como pode ser útil à história. isso significa que é um ator generoso, alguém que interpreta com integridade, não parta mostrar o que é capaz de fazer. foi wahlberg quem pensou em bale para o papel de o vencedor – eles se conheciam porque as filhas estudavam na mesma escola, e a intensidade característica de bale parecia se encaixar no papel.
– ele tem vontade de ir a lugares que outras pessoas parecem relutantes em fazê-lo– disse wahlberg.
Bale tende a desaparecer nos papeis, tem talento para atos incríveis de desaparecimento.
