Ferve a disputa no Jockey Clube
Com a desculpa de "modernizar" as eleições de maio no Jockey, seu presidente Luis Eduardo da Costa Carvalho resolveu simplesmente ignorar o estatuto do clube e mudou totalmente a forma do pleito, mesmo sendo ele candidato à reeleição.
O perigo, agora, é algum dos quase 6.000 sócios do JCB simplesmente ir à Justiça e anular as eleições, atirando o tradicional clube na maior crise institucional de sua história.
By the way: presidente do Jockey por oito anos, Luiz Alfredo Taunay, que lidera a oposição nas próximas eleições, enviou ontem carta a todos os sócios. A eleição será no próximo dia 31.
Leia abaixo a carta.
Luiz Alfredo Taunay - Jockey Club Brasileiro
Rio de Janeiro, abril de 2012.
Prezados Consócios e Consócias,
Peço sua especial atenção para a leitura da presente, pois no próximo dia 31 de maio teremos eleições para o quadriênio 2012/2016 e, como Presidente do JCB de 2000 a 2008 e sócio há 40 anos, preocupa-me o destino do clube.
Como é sabido, indiquei e apoiei o atual Presidente na eleição de 2008 e gostaria de deixar claro aos sócios porque o atual Presidente não conta mais com o meu apoio e não goza mais da minha confiança.
Logo em seguida à sua posse, constatei o equívoco da minha decisão.
O atual Presidente passou a tomar decisões sempre sem consultar ninguém, como se fosse dono do Clube.
DECISÕES CONTRÁRIAS AOS INTERESSES DOS SÓCIOS E DO CLUBE
A título exemplificativo, citarei algumas medidas adotadas pelo Presidente contrárias aos interesses e à vontade dos sócios, o que me levou desde logo, como dito acima, a me opor à sua gestão:
a) demitiu sem critério mais de 200 funcionários, criando gigantesco passivo trabalhista para a instituição;
b) tentou entregar a exploração da garagem do Centro a terceiros;
c) aumentou exageradamente os custos do estacionamento, passando a cobrar inclusive as duas primeiras horas, que eram gratuitas e representavam direito antigo dos sócios;
d) pretendeu lotear o terreno das cocheiras do JCB, sem avaliar minimamente os danos que atingiriam os freqüentadores da Sede da Lagoa e os turfistas, só não o fazendo por desistência da Odebrecht;
e) fechou praticamente a Sede do Centro com o desativamento de diversos serviços de utilidade para os sócios;
f) aumentou a taxa de transferência de títulos de R$ 6.500,00 para R$ 60.000,00, o que provocou a redução do valor do título para menos de R$ 10.000,00 (dez mil reais), o menor nos últimos 15 anos;
g) firmou aditivo contratual com a Codere, flagrantemente nocivo aos interesses do Clube, aditamento que anistiou a Codere de pagar valores expressivos ao JCB;
h) tentou realizar uma reforma de estatuto, que, se levada adiante, seria uma verdadeira calamidade para o nosso Clube;
i) tomou uma série de decisões contrárias às leis vigentes e ao estatuto, obrigando o JCB ao pagamento de honorários advocatícios - importante frisar,
excelentes profissionais - em valores elevados, mas nunca revelados;
j) fez contratações e pagou gratificações a novos funcionários, absolutamente injustificáveis, em montantes também não revelados.
k) extinguiu o pagamento, com desconto, da taxa de manutenção dos sócios, também um direito antigo do associado.
MUITO POUCO PARA OS SÓCIOS
Resumindo, pouquíssimo foi feito para o bem estar dos sócios, a não ser obras de manutenção, mesmo assim só em alguns setores do clube. Confira:
i) Sede Centro: desativação e abandono;
ii) Garagem: aumento abusivo dos preços, inclusive com cobrança das duas primeiras horas, subtraindo direito antigo dos sócios;
iii) Sede da Lagoa: interrupção da pista de cooper, ameaça de cortar a academia pela metade, além de algumas obras de manutenção;
iv) Turfe: sem comando, aumentando o déficit;
v) Aumentou o caixa e criou um passivo trabalhista gigantesco.
OBRAS NA LAGOA
Agora, ao final do seu mandato, com grande estardalhaço, dá início à ampliação de áreas da Sede da Lagoa, sem nenhuma concorrência, como se o clube fosse de um dono só e, pior, com fins eminentemente eleitoreiros. Indaga-se: por que não o fez antes, se assumiu o Clube com um caixa superior a R$ 5.300,000,00 (cinco milhões e trezentos mil reais)?
A alegação de que não tinha o "habite-se" desde 1980 é ridícula, pois o Clube jamais deixou de funcionar ou de realizar obras ao longo de décadas.
Indaga-se novamente: se demorou tanto a conseguir a licença da obra, por que não abriu concorrência para despesas de tamanho vulto? Não há resposta.
O sócio não pode viver o dia-a-dia sobressaltado com o risco de ser alterado o rumo e o destino do nosso clube por decisões isoladas e autoritárias do atual Presidente (vide os exemplos acima).
Definitivamente, é inaceitável.
Integrarei a chapa do candidato Carlos Eduardo Loretti Palermo, podendo
garantir aos prezados consócios (i) que as obras em curso na Sede da Lagoa serão concluídas, assim como a extensão para o pião do prado (estabeleci como condição para participar do processo sucessório); (ii) a redução do preço da garagem, com a volta da gratuidade para as duas primeiras horas; (iii) a utilização adequada da Sede Centro; e (iv) melhorias na gerência do turfe.
Por todas essas razões, peço o seu voto para o candidato Carlos Eduardo Loretti Palermo, pessoa de bem, correta, administrador sensato, na certeza de que o nosso Clube viverá dias melhores, para alegria dos sócios e de suas famílias.
Cordiais Saudações
Luiz Alfredo Taunay
