Fundador do WikiLeaks denuncia campanha de 'difamação'

LONDRES - O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, iniciou em uma mansão inglesa o regime de liberdade condicional, prometendo lutar contra "a campanha de difamação" por trás do procedimento aberto contra ele na Suécia, que poderá levar vários meses, e reiterou, nesta sexta-feira, que sua maior preocupação é o "cada vez mais provável" processo de extradição para os Estados Unidos.

"Uma campanha de difamação muito bem-sucedida e completemente injustificada": foi com um tom combativo que Julian Assange mais uma vez denunciou, na propriedade onde ele se instalou, as tentativas de Estocolmo de processá-lo por "agressões sexuais".

"Minha sensação é a de que há um número de interesses diferentes, pessoais, nacionais e internacionais, que se alimentam com este processo, que se encorajam", acrescentou, sugerindo que novas revelações podem ser feitas a partir desta sexta-feira.

"Meus advogados me informaram que estará em curso nova tentativa de difamação, acrescentou diante de uma opulenta mansão em Suffolk, 200 km a nordeste de Londres, colocada à sua disposição por um de seus partidários. É nesta propriedade de dez quartos que Julian Assange está hospedado.

"Ouvi hoje de um de meus advogados nos Estados Unidos, e isto ainda deve ser confirmado, mas é uma questão séria, que pode haver uma acusação por espionagem contra mim nos Estados Unidos, vinda de uma investigação secreta de um grande júri americano," disse nesta sexta-feira .

"O maior risco, o risco que preocupa a todos nós, é a extradição para os Estados Unidos. E isso parece ficar cada vez mais sério e cada vez mais provável", declarou à imprensa o australiano de 39 anos.

Em Washington, muitos defendem um processo por "espionagem" contra o fundador do WikiLeaks, que continua a revelar centenas de milhares de documentos diplomáticos embaraçosos para os Estados Unidos. Uma porta-voz da Justiça americana confirmou a existência de uma "investigação em curso contra o WikiLeaks".

Na Austrália, a polícia e a justiça, por outro lado, indicaram nesta sexta-feira que não processarão Julian Assange, apesar das declarações da primeira-ministra Julia Gillard, que havia classificado recentemente de "completamente irresponsáveis" e potencialmente ilegais as atividades do WikiLeaks.

Preso no dia 7 de dezembro em Londres em virtude de um mandado de prisão europeu emitido pela Suécia, Julian Assange foi colocado em liberdade condicional na quinta-feira pela Alta Corte de Londres, à espera de um processo de extradição para a Suécia. Este processo poderá levar vários meses, em razão de várias apelações possíveis. A data do processo sobre esse dossiê será fixada no dia 11 de janeiro.