WikiLeaks enfrenta graves ameaças financeiras, diz fundador

O fundador do WikiLeaks, que publicou quase 400 mil documentos militares sobre a Guerra no Iraque, disse em entrevista na noite desta segunda que o site enfrenta graves ameaças financeiras. A página do australiano Julian Assange teve seu financiamento bloqueado como possível consequência de uma guerra financeira lançada pelos Estados Unidos.

De acordo com 391.832 relatórios publicados pelo WikiLeaks na sexta, ao menos 109 mil pessoas, 63% civis, morreram no Iraque do início da invasão americana, em março de 2003, até o final do conflito, em 2009. Os dados apontam que "o número de mortos civis é muito maior do que se estipula oficialmente". O vazamento gerou descontentamento entre Julian Assange e o Pentágono, que exigiu publicamente a devolução dos documentos secretos antes da divulgação.

O The Guardian informou na semana passada que a Moneybrookers, empresa responsável pela coleta de doações do Wikileaks na internet, notificou os responsáveis de que a sua conta tinha sido fechada ao ser incluída na lista negra dos governos americano e australino.

Segundo Assange, o wikiLeaks poderia deixar de publicar documentos com a rapidez esperada devido à falta de investimentos para aperfeiçoá-lo. "Isso certamente foi uma resposta agressiva por parte do Pentágono e alguns elementos da administração americana ao tentar levantar um caso de espionagem contra mim e contra outras pessoas com as quais trabalhamos", afirmou.

O fundador do WikiLeaks lembrou que, na semana passada, o porta-voz do Pentágono (coronel David Lapan) havia afirmado que "o resto da mídia, se publicasse o material, também estaria em risco de alguma coisa". "Ele não explicou qual seria o risco, mas se percebe claramente que ele tentou ameaçar o resto da imprensa sob pena de enquadramento na Lei de Espionagem", disse Assange.

Resposta ao Pentágono

Julian Assange afirmou, em resposta ao descontentamento do Pentágono, que pode não haver novidades para as autoridades documentos secretos sobre a Guerra do Iraque, "mas não é assim para o resto do mundo". Foi o que Assange respondeu em entrevista à rede de televisão CNN nesta segunda, com o popular apresentador Larry King, ao ser perguntado pelas declarações do órgão americano depois da divulgação dos documentos.

Segundo Assange, o que este material indica é que a morte de civis foi contabilizada desde o início da guerra e põe em dúvida que os militares americanos desconhecessem o que estava acontecendo nas prisões iraquianas, onde "se cometeu tortura". Tal como indicou na sexta-feira passada o porta-voz do Pentágono, Geoff Morrell, "não há nada que possa indicar a existência de crimes de guerra" no Iraque. Ele destaca, no entanto, que há "300 nomes de iraquianos em possível perigo" e "o país está agora mais vulnerável".

Mas, para Assange, "o único aqui em perigo é a reputação dos políticos que puseram estes soldados no Iraque" e que agora terão de enfrentar os dados desses documentos, que revelaram a morte de 100 mil iraquianos desde 2003, dos quais 70 mil eram civis.

Com informações de agências internacionais