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Como é injusta a paixão política...

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Anglófilo de carteirinha, como devem desconfiar os meus fieis leitores, gostaria de possuir um espaço onde poderia tecer louvas à recém-falecida baronesa Margaret Tratcher, a Dama de Ferro que, junto com Ronald Reagan, conseguiu desmontar o império soviético, terminando a Guerra Fria. Felizmente consegui um “gancho” para citá-la, até em homenagem à sua memória, quando, em momento difícil para Inglaterra, restaurou o prestígio britânico, graças à jactância dos generais que governavam a Argentina e tentaram tomar as Falklands. Lembro-me de que de fato a Inglaterra andava por baixo e os meus amigos me “gozavam” comentando o fato comigo. A eles sempre respondia: “Tudo bem, as coisas vão mal, com todas estas greves, mas experimentem provocá-la com uma guerrinha, e verão o que acontece”. O general Galtiére resolveu “cutucar a onça com a vara curta” e deu no que deu. O meu sentimento de paixão pelas coisas britânicas, é bom que lhes explique, vem do período que lá passei, como Guarda Marinha, no ano de 1950, que marcou de maneira indelével, na nossa formação de cidadania, não somente a mim, mas a todos meus colegas de turma, na época no inicio de nossos vinte anos.

Mas, o “gancho’ para poder dizer o que acabo de escrever deveu-se a declaração extremada do ex-prefeito Ken Livingstone, do Partido Trabalhista, que assim sobre ela se expressou:  “Todos os grandes  problemas que enfrentamos hoje são o legado do fato de que ela estava errada”. Nem o presidente de seu partido foi tão radical, havendo, com restrições, a elogiado. Pelo seu radicalismo cego, deveria vir para o Brasil e filiar-se ao PT.

E o que fez Livingstone, no trânsito de Londres, quando prefeito?

Instituiu o “Congestion charging” para restringir o acesso ao centro da cidade, que, na época em que foi instalado, mereceu louvas e o fez ser incluído entre os cinco melhores prefeitos da Europa, naquele ano, segundo pesquisa da revista Time. Serviu esta sua medida para me inspirar na criação do URV, que cria a taxa de congestionamento, de valor variável, como fator equilibrador do rendimento da malha viária.

Infelizmente esta inteligente medida não previu a sua atualização às mudanças dela decorrentes e, hoje, não surte mais o efeito de melhorar a mobilidade urbana de Londres, nas horas de pique. Quando valor da taxa de congestionamento de lá, que tinha valor fixo, se equiparou ao preço da passagem do “tube” (metrô), ela deixou de exercer o seu papel regulador de mobilidade.

Mr Derek Turner, consultor de trânsito de lá, um dos planejadores do “Congestion charging” quando aqui esteve, para uma conferência no IAB, tive a oportunidade de com ele trocar idéias e lhe expor o meu URV, que complementa com um pedágio inteligente o papel regulador da taxa. Confessou-me ele, humildemente, que o meu projeto era melhor do que o dele.

Animado com a sua opinião, quando pude ir a Londres, logo após este encontro, postei para o departamento de tráfego local, via o Sedex deles, o meu projeto.

O chefe da portaria do hotel, onde me hospedo sempre que por lá vou, pediu licença para lê-lo, antes de postá-lo.

Após tê-lo lido, disse-me: “Mr Franco, são muito orgulhosos. Não vão considerar o que o senhor lhes envia, como não consideram o que nós “londoners” lhe enviamos. Acrescente-se ainda, e lhe peço desculpas, vindas de um habitante da América do Sul.

Exatamente como me dissera Mr Willian Dones, o Chief Concierge do Fleming´s Hotel, em Mayfair, o Departamento de Trânsito de Londres não deu a menor atenção ao que eu enviei.

Foi uma pena, não a Europa, que é menos importante mas, a Inglaterra, perdeu a oportunidade de, mais uma vez, se curvar perante o Brasil...