Humildade & habilidade

Na terça-feira que passou, tive o prazer de assistir à conferência do secretário municipal de Transportes, Carlos Roberto Osório, na Associação Comercial do Rio de Janeiro, a Casa do Barão de Mauá. Sou suspeito para falar sobre ela, face à amizade que me uniu a seu avô paterno, José Osório, e a  seus primos, meus colegas, oficiais de Marinha Hildegardo e Jorge Noronha, e que me une a seu pai Roberto. Por causa disso, transcrevo aqui uma opinião insuspeita de um competente engenheiro, que comigo trabalhou no Detran, presente ao evento, que assim se expressou, em e-mail para mim: “Fiquei satisfeito com a sua presença à palestra do secretário Carlos Osório.É um jovem brilhante e que maneja com maestria o vernáculo, levando o interlocutor a acompanhá-lo em sua dissertação bastante objetiva.

Fiquei satisfeito quando  ele, ao reconhecê-lo, chamou-o de professor”.

Aí está o que eu gostaria de ter dito, mas, posso analisar, o desempenho do jovem e futuro político executivo, durante a sua palestra, onde demonstrou humildade em confessar que não era do ramo e habilidade em saber rodear-se de técnicos competentes e manter nos cargos os que encontrou e que se desempenhavam muito bem, além de já saber identificar os problemas, em busca de suas soluções. Escapa, portanto, à critica  do autor inglês G.K.Chesterton quando escreveu: “Não me preocupam os que não veem a solução e, sim, os que não veem o problema”

Dissertou com desembaraço e conhecimento de causa sobre as grandes obras visando a implantação do transporte de massa, sem deixar de observar que não é mais tolerável a presença do automóvel transportando apenas o seu motorista, o que me faz ver, finalmente, uma luz no final do túnel.

Mas a minha maior surpresa, muito agradável, foi ouvir dele, que foi no caso um autodidata, a importância do esclarecimento ao público do que se pretende fazer ou modificar. Seguiu à risca a recomendação do legendário diretor de trânsito de Nova York, por oito anos, Henry Barnes, ao declarar enfaticamente: “Trânsito, em sua essência, é povo em movimento. Quanto melhor estiver informado, mais será facilitada a aceitação do que se deseja implantar”.

Foi assim pensando que eu, na década de 60, quando na direção do trânsito da finada Guanabara, usei e abusei da informação, do esclarecimento e cheguei a escrever, em artigo no JB, que o princípio americano do trânsito equacionado, do tripé dos três Es (education, engineering, enforcement) ficaria mais estável com quatro pernas, ou seja, com o acréscimo da quarta perna,explanation, esclarecimento, na nossa língua. Foi graças a esta filosofia que a operação, para isolar parte da Avenida Ataulfo de Paiva, no Leblon, deu certo em curto espaço de tempo.

Quanto às perguntas a ele endereçadas, a sua maioria em causa própria dos interlocutores, mereceram especial interesse do conferencista, as soluções, para os problemas do bloqueio dos cruzamentos pelos apressadinhos “espertos”, no afã de aproveitar o tempo verde do semáforo, e as dificuldades da carga e descarga por caminhões, no abastecimento da cidade.

Ambos os problemas, enfrentei-os com sucesso. O primeiro em São Paulo e, em menor escala no Rio e, o segundo, no Rio novamente, em 1968, a última vez que se fez um planejamento sério a respeito. Se convocado, terei o maior prazer em colaborar, embora flamenguista, com o neto do José Osório, como o avô e o pai, vascaíno roxo.

 

* Celso Franco, oficial de Marinha reformado (comandante), foi diretor de Trânsito do antigo estado da Guanabara e presidente da CET-Rio. - [email protected]