Embora com atraso, é muito bem-vinda a regulamentação da profissão de taxista

Vejo com alegria a notícia de que vão, finalmente, editar regras para regulamentar a profissão importantíssima do motorista de táxi. Nos dois períodos em que exerci a direção  do trânsito nos Estados da Guanabara e do Rio de Janeiro, deles só  tenho boas lembranças, e até gratidão.

Sou testemunha de vários atos de honestidade de devolução de objetos ou de vultosas quantias esquecidas em seus veículos. Colaboraram comigo na medida em que devolviam, preenchidas, através o seu sindicato, as folhas de irregularidades existentes no trânsito, indicando-as sempre com objetividade. 

Em compensação não lhes cobrava o exame de vista, para a renovação de sua habilitação. Mantendo–se em dia com este exame, colaboravam em favor da segurança do trânsito. Sempre que pude denunciei, às autoridades responsáveis, a exploração destes profissionais, pelos maus donos de empresa de táxis, que os obriga a um trabalho sob tensão. Agora, felizmente, vão regulamentar a sua profissão, dignificando-a, ainda mais, uma vez que já era pelo comportamento dos seus componentes.

E, sabem do melhor, a classe dos taxistas é a única que não pode fazer greve. A sua greve é bem-vinda, para fluidez de trânsito e lhes traz enormes prejuízos. Não me lembro, nesses últimos 40 anos, de algum movimento grevista desta classe e, note-se, motivos não faltaram.

Sempre tive como paradigma o motorista de táxi londrino. São excepcionais, graças à regulamentação que lhes é imposta. São dois anos de preparação para que, de motocicleta, conheçam a cidade. Agora, graças ao GPS, que passaram a ter em seus táxis, diminuiu de muito o tempo de estágio original. Não falo de seus veículos especialmente projetados para a sua função, pois seria covardia.

Que corrijam, durante esta regulamentação, o absurdo da enorme quantidade de táxis licenciados, atendendo a injunções políticas, em prejuízo da rotatividade de clientes que lhes assegure um salário digno. 

Que tal iniciarmos a utilizar o treinamento em simuladores, para melhorar o desempenho dos motoristas de táxi?

Que tal uma rigorosa fiscalização nos contratos de trabalho a que são obrigados em algumas empresas clandestinas?

E os “piratas” que invadem a sua área de trabalho? A instalação de um “chip”, identificador, resolveria este problema que, para a classe, é gravíssimo.

No mais, é esperar para ver o que vão criar e, espero que prevaleça o interesse público e não o de alguns políticos em busca de votos.