Investimento de R$ 36 milhões evitaria tragédia na Região Serrana do Rio, diz Ministério

BRASÍLIA - Um investimento de R$ 36 milhões seria suficiente para evitar as centenas de mortes registradas na Região Serrana do Rio de Janeiro em decorrência de fortes chuvas. A afirmação foi feita pelo secretário de Políticas e Programas de Pesquisa e Desenvolvimento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT), Luiz Antônio Barreto de Castro, na reunião da Comissão Representativa do Congresso convocada para discutir o assunto nesta quinta-feira.

"Se nós gastarmos adequadamente R$ 36 milhões ao longo deste ano, não morre ninguém no ano que vem", disse Luiz Barreto de Castro. Conforme o secretário, que já teve anunciada sua substituição no cargo, há dois anos foi preparado no ministério um plano para a instalação de radares destinados a prever desastres naturais, com custo estimado em R$ 115 milhões.

No entanto, o plano não foi incluído no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Depois disso, uma tentativa de inclusão no PAC 2 também teria sido vetada pelo então ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. "Criamos um grupo de trabalho em agosto do ano passado e fizemos uma proposta de R$ 36 milhões para um piloto, mas esse recurso ainda não foi liberado", afirmou o secretário.

Luiz Barreto de Castro disse estar "indignado" com a situação, mas negou que suas críticas à demora na liberação de recursos para um sistema de prevenção tenham sido a razão de sua saída do governo. Ele mesmo teria colocado o cargo à disposição do novo ministro da Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, desde o primeiro dia do governo Dilma.

Segundo Barreto, o modelo ideal - que ele conheceu há mais de 10 anos na Venezuela - é composto por um sistema de radares e uma "sala de situação", com especialistas observando as mudanças 24 horas por dia e fazendo ligação direta com a Defesa Civil. O secretário destacou que, no caso da tragédia no Rio, houve o alerta do radar, mas o resto do sistema não existia.