Teresópolis recebe ajuda do Exército na reconstrução de Vieira

Oito dias depois da catástrofe que arrasou a região serrana do Rio de Janeiro, o bairro de Vieira, na zona rural de Teresópolis, luta para se reerguer. Com população pequena, a região teve relativamente poucas mortes em comparação com outros bairros, mas a economia, dependente da produção rural, sofreu um duro golpe. Agricultores relataram ter perdido grande parte da produção. O Exército tem ido ao local desde sexta-feira dar mão de obra para os trabalhos de limpeza e reconstrução da localidade.

Os moradores estimam que 95% das casas tenham ficado alagadas durante as chuvas da madrugada do dia 12 de janeiro. O agricultor Renêt Pereira de Lima, 62 anos, afirmou ter perdido toda a produção de cebolinha e salsa da qual vivia. Sua sogra morreu. "Ontem é que foram achar o corpo", disse. Ele observava a movimentação de soldados em frente a uma igreja onde eram estocados donativos. "Que lamaceiro que está isso!", disse o amigo de Renêt e também lavrador Silas Alves Fernando, 46 anos. Silas afirmou ter perdido sua produção inteira de 30 mil pés de brócolis, 70 mil alfaces e 16 latas de salsa.

"Estão vivos? Mas que bom!", disse a vizinha Rosângela Souza de Siqueira, 40 anos. Ela seguia em direção ao centro do bairro e aproveitava para celebrar, de passagem, que os conhecidos escaparam da tragédia. Dono de um lava-jato, o filho dela, de 19 anos, decidiu procurar uma vida melhor fora de Teresópolis. "Ele tomou pavor deste lugar, perdeu tudo o que mais gostava: o computador", afirmou. Pela convivência com o risco de inundações, a pensionista, que vive na beira do riacho, adquiriu doenças psiquiátricas mais comuns em cidades grandes. "Tomo remédios para depressão e síndrome do pânico".

O bairro chegou a ficar isolado devido a quedas de barreira na rodovia RJ-130, que liga Teresópolis a Nova Friburgo. Nesta quinta-feira, caminhões eram carregados por retroescavadeiras com toneladas de lama que iriam ser levadas a um aterro da localidade. De acordo com o motorista de uma empreiteira, muitos corpos soterrados foram localizados nas escavações. "Pelo que aconteceu aqui, morreu pouca gente. Foi como um terremoto", disse a vendedora de roupas Ângela Maria de Souza, 45 anos.

De acordo com o lavrador Renêt, muitos corpos ainda não foram resgatados. Este é o caso de um dos parentes do lavrador Ivaldo Teixeira de Oliveira, 38 anos, que ainda não conseguiu localizar o sobrinho levado pela enxurrada. Perdeu irmã, cunhada e o menino que ainda está desaparecido. A família inteira morava em cinco casas, uma vizinha da outra. Restaram duas. "Sobrou apenas a minha e a do meu pai", disse.

Para superar a dor, Ivaldo colhia a produção de hortelã, que resistiu à chuva. Ele explica que foi o único cultivo que se manteve em pé com o temporal. "A hortelã é mais forte que a maioria das hortaliças", exlplicou.

Chuvas na região serrana

As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.