Governo: plano contra desastres pode reduzir em 80% n° de vítimas

Com o lançamento do sistema nacional de alerta e prevenção de desastres, anunciado nesta semana, o governo federal pretende reduzir em 80% o número de vítimas de desastres naturais, como enchentes, secas e inundações. O governo prometeu que o sistema estará em completo funcionamento até o final do governo Dilma, em 2014. O assunto foi debatido em uma reunião nesta quinta-feira entre sete ministros, entre eles o ministro-chefe da Casa Civil, Antonio Palocci, o de Ciência e Tecnologia, a de Planejamento, Miriam Belchior, e o da Defesa, Nelson Jobim.

Para o próximo verão, a ideia é usar a estrutura existente no Brasil (como os 20 radares do Instituto Nacional de Meteorologia e equipamentos para medição do clima espalhados pelos Estados brasileiros) para obter os primeiros resultados. Esta seria a solução preliminar encontrada pelo governo diante da promessa do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, de conseguir resultados "no curtíssimo prazo".

Segundo detalhamento divulgado nesta quinta-feira pelo governo federal, o plano inclui a aquisição de 700 pluviômetros - equipamentos para medir a quantidade de chuva - e instalação em áreas de risco onde há circulação de pessoas, como igrejas, escolas e órgãos públicos. Assim, caso haja uma grande precipitação de chuva, as autoridades locais terão informações mais rápido e poderão remover a população para lugares mais seguros. Os pluviômetros têm relativo baixo custo e transmitem a informação em tempo real a centros meteorológicos via rede de telefonia celular.

O governo também pretende adquirir 15 radares meteorológicos que ampliam em quatro vezes a área mapeada atualmente. Os radares vão esquadrinhar o território brasileiro a cada 5km², em vez dos atuais 20km². Com a aquisição, o governo espera cobrir completamente o território brasileiro. Outra medida é fazer o mapeamento detalhado das 500 áreas de risco em encostas e de outras 300 com possibilidade de enchentes.

Área de encostas

De acordo com o detalhamento do plano, com exceção do Rio de Janeiro e São Paulo, não há levantamento sobre a situação do solo nem mapeamento detalhado sobre as áreas de risco em encostas no País. Com a gradativa implantação do plano nacional de alerta e prenvenção a desastres, a ideia é que esse detalhamento seja feito por equipamento desensor a laser, instalados em aviões que, ao sobrevoar as áreas, fará o mapeamento.

Chuvas na região serrana

As fortes chuvas que atingiram os municípios da região serrana do Rio nos dias 11 e 12 de janeiro provocaram enchentes e inúmeros deslizamentos de terra. As cidades mais atingidas são Teresópolis, Nova Friburgo, Petrópolis, Sumidouro e São José do Vale do Rio Preto. De acordo com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), choveu cerca de 300 mm em 24 horas na região.