Diretor da Escola Tasso da Silveira diz que 20 pais quiseram transferir crianças

RIO - O diretor da Escola Municipal Tasso da Silveira, Luiz Marduk, disse que 20 parentes de alunos pediram históricos escolares na secretaria da instituição para providenciar a transferência das crianças para outras unidades de ensino do Rio de Janeiro. Marduk afirmou que convenceu alguns pais a manterem seus filhos na escola, embora não tenha precisado quantos. A Tasso da Silveira tem 1,4 mil alunos.

Na entrada do colégio, há um bilhete informando que as aulas serão retomadas para as turmas do nono ano a partir das 13h desta segunda-feira. As demais turmas devem retomar as aulas na terça-feira. Marduk disse que, nesta tarde, serão desenvolvidas atividades lúdicas nas quadras da escola e que ainda não há previsão de retorno das atividades curriculares.

Alguns parentes foram nesta manhã à escola em busca de informações sobre a volta às aulas. Janaíra Nunes Sodré, aposentada, garante que seu neto, do nono ano, reagiu bem ao massacre que deixou mortos 12 de seus colegas. "Ele é tímido, fica muito tempo no computador, mas quer voltar às aulas", disse.

Os alunos não precisam levar material escolar para a Tasso da Silveira nesta segunda-feira. Os professores e funcionários receberão os alunos de volta com oficinas de pintura e poesia como readaptação dos adolescentes. Durante a semana, os docentes e as famílias também serão atendidos por equipes de psicólogos. De acordo com a secretária municipal da Educação, Claudia Costin, a readaptação dos estudantes deve levar três semanas.

No sábado, um grupo de cerca de 100 voluntários, funcionários e ex-alunos pintaram o muro e reformaram as instalações da escola. O muro, antes verde, foi pintado de branco e as salas de aula, reorganizadas. A intenção é que as lembranças do dia do atentado sejam amenizadas no retorno dos estudantes.

A volta às atividades também será marcado pelo reforço na segurança do colégio. Em reunião com os pais na semana passada, a direção decidiu pedir que a Guarda Municipal tome conta da escola durante os três turnos, por tempo indeterminado. Quatro crianças vítimas do ataque continuam internadas em hospitais do Rio.