"Dá medo voltar à escola”, diz sobrevivente do massacre em Realengo

Ainda não eram 9h da manhã quando o Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, zona oeste do Rio, começou a receber as primeiras vítimas do massacre ocorrido na

Escola Municipal Tasso da Silveira. Pouco antes, Wellington Menezes de Oliveira, 23 anos, entrou na colégio e passou a atirar em crianças que estavam em aula. Munido de dois revólveres e carregadores automáticos com muita munição, ela matou 11 alunos, feriu pelo menos 13 e se suicidou.

Em seguida, parentes e amigos das vítimas se aglomeram na porta do hospital em busca de informações. De acordo com o secretário estadual de Saúde, Sérgio Côrtes, cinco crianças foram transferidas para os hospitais Pedro Ernesto, em Vila Isabel, Geral da PM, no Estácio, Adão Pereira Nunes, em Saracuruna, e para o Instituto de Traumatologia, no centro do Rio.

“Não esperava experimentar que vi aqui. Ver toda a equipe do Albert Schweitzer chorando nos corredores. É uma situação que a gente não está acostumado. É uma violência tão grande, totalmente desnecessária”, disse o secretário.

Côrtes destacou ainda a solidariedade das pessoas que em momentos como o de hoje procuram ajudar. “A comoção é muito grande e, ao mesmo tempo há solidariedade. Recebemos médicoss do Albert Schweitzer que não estavam de plantão, enfermeiros que apareceram aqui para contribuir, que estão no centro cirúrgico, que estão ajudando e dando suporte para o atendimento as crianças.”

O pedreiro Nilson Rocha, 56 anos contou que passou pelo maior susto da vida. A filha dele foi uma das crianças feriadas no ataque. “Felizmente, a minha filha está bem. Fez exames e o médico vai decidir se ela continuará aqui ou se será transferida para outro hospital. Ela estava na sala de aula e o atirador chegou baleando todo mundo.”

Também na porta do hospital, em busca de notícias de uma colega, Pamela Cristina Muniz, 13 anos, aluna do 7º ano da Escola Tasso da Silveira, contou que os professores levaram os estudantes para o auditório, no último andar do prédio, quando ouviram os tiros. “Subi correndo. Só ouvi os tiros. Lá, eles trancaram a porta com cadeiras e com armários. Foi uma gritaria só. Todo mundo em pânico. Dá medo voltar à escola.”