Crítica: maestro Lehninger brilha com a OSB

Imaginem acordar e todos os dias reger a Orquestra Sinfônica de Boston, uma das cinco maiores orquestras dos Estados Unidos! 

Este é o privilégio, atualmente, de um brasileiro considerado uma das mais novas estrelas da regência, que tivemos o prazer de assistir, no último sábado, com a Orquestra Sinfônica Brasileira, na Série Topázio.

Subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro o maestro Marcelo Lehninger que, com sua juventude, conquistou logo a plateia. O concerto era todo dedicado ao romantismo eslavo e começou com Os Prelúdios de Franz Liszt, com os excelentes metais do conjunto, tendo Lehninger, desde o princípio, realizado uma concepção exuberante, onde a orquestra estava contagiada com a energia do jovem regente. O texto foi lido com maestria e transmitido com o melhor do romantismo húngaro de Liszt. O Scherzo de Antonín Dvórak, também foi traduzido e realizado com extrema competência.  No intervalo, os comentários foram de surpresa com a idade do maestro e sua coragem.

A segunda parte começou com a Sinfonia nº5 op.64 de Piotr Tchaikovsky. Para alívio de todos, ninguém bateu palmas fora de hora, o que já foi uma conquista. A plateia estava seduzida pela beleza da obra e pela realização do regente  e do conjunto. Lehninger tem mentalmente o ideal da sonoridade orquestral, que com certeza é o resultado do contato diário com a Boston Symphony.

Naturalmente o maestro já construiu o seu ideal sonoro, fazendo a Orquestra Sinfônica Brasileira, de certa maneira, se aproximar deste padrão sinfônico, sem dúvida nenhuma, de elevadíssima categoria artística. 

O regente excita mentalmente os músicos, provocando neles a vontade de procurar chegar o mais perto possível do seu ideal sonoro. Ele toca fogo, incendeia a orquestra quando precisa e consegue depois a sonoridade diáfana, extremamente dourada. A ovação que o maestro recebeu, junto com a OSB, voltando ao palco diversas vezes, foi sem dúvida um exemplo de sua  juventude  dourada, altamente profissional , que brilha em qualquer palco do planeta. Ainda bem que é brasileiro!

O BRAVO da coluna ao maestro Lehninger pelo seu belíssimo concerto com a Orquestra Sinfônica Brasileira.