Rio Harp Festival homenageia  personalidades em páreos no Jockey Club

Por Maria Luiza Nobre

Além dos concertos de segunda-feira, o Rio Harp Festival inova com a realização de dez páreos, a partir das 18h, homenageando dez personalidades dos meios empresarial e consular. Os três primeiros páreos serão realizados antes do concerto da harpista Rosalía Lópes, no Salão da Tribuna Social do lindíssimo Jockey Club do Rio de Janeiro.

A coluna dá, claro, em primeira mão aos leitores, a lista com os páreos assim como os nomes dos homenageados, e  mais a oportunidade de visitarem o local escutando música agradável  e tranquila e vendo também  os cavalinhos galoparem em prestíssimo! Façam suas apostas!

1º páreo – 18h15 – Prêmio Harald Klien, Cônsul Geral da Alemanha

2º páreo  - 18h45 – Prêmio Música no Museu

3º páreo – 19h15 – Prêmio Antenor Barros Leal – Presidente da ACRJ

4ª páreo – 19h55 – Prêmio Sergio da Costa e Silva

5º páreo – 20h25 – Prêmio E.B.S.E.  – 100 anos

6º páreo  - 21h -  Prêmio Nuno Bello,Cônsul Geral de Portugal

7º páreo – 21h35 – Prêmio Alice Lorentz

8º páreo – 22h10 – Prêmio VIII Rio Harp Festival

9ª páreo – 22h40 – Prêmio Desembargador José Murta Ribeiro

10º páreo – 23h20 – Prêmio M.P.E.

 

Crítica: OSB e Hélène Grimaud

Na tarde de domingo (19) subiu ao palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro a Orquestra Sinfônica Brasileira para mais um concerto da Série Turmalina. A plateia estava ansiosa ou inquieta, mas não fazia o silêncio necessário para o começo do concerto.

O maestro Roberto Minczuk, regente titular do conjunto, por algumas vezes teve que esperar o tão desejado silêncio, primordial para a decolagem de qualquer concerto. A primeira obra do programa foi a Sinfonia em Ré Menor, de César Franck, traduzida de uma maneira impecável, onde o som do conjunto estava grandioso e muito bem cuidado pelo maestro, uma leitura muito bem realizada, fazendo a bela primeira parte do concerto.

Infelizmente as palmas fora de hora continuam sendo uma constante, vindas de várias partes do teatro, sobretudo de algumas frisas e de alguns lugares da plateia. A coluna sempre insiste para os mais desavisados darem uma lida no programa antes do concerto começar, pois as palmas quebram a concentração de quem ouve e pode ser ruim para a orquestra e o maestro, porque a transição de um movimento para o outro é concentração pura também. A sugestão da coluna é que sejam anunciados, além da obra, os movimentos, antes do começo do concerto, o que não é o desejável, mas é o mais prudente para não se ter surpresas desnecessárias. É muito desagradável para um artista convidado, seja maestro ou solista, ouvir palmas em hora errada e inoportuna, o que fatalmente leva a refletir sobre a qualidade dos ouvintes, o que é lastimável e não justo com os que apreciam e sabem ouvir música, com o comportamento exemplar. 

Começa, então, a segunda parte do programa e surge a pianista francesa Hélène Grimaud, para ser solista do Concerto para Piano nº5 em Mi Bemol Maior, o Imperador de L.Beethoven, página das mais tradicionais e importantes da literatura musical, onde estão registradas as mais belas realizações de célebres e grandes pianistas como Arthur Rubinstein, Claudio Arrau, Christian Zimmerman, Daniel Barenboim, Pollini. Colocamos nesta lista também, os impecáveis Arnaldo Cohen e Nelson Freire. Grimaud tem uma técnica muito boa, é  valente no sentido de não aparentar ter problemas com o teclado, encara, mas tocar um Imperador de Beethoven, e sobretudo Beethoven, requer sempre altos cuidados, isto é, a escala inicial do concerto não pode ter nenhuma imperfeição, e consequentemente nenhum tipo de esbarro, já no começo da obra. Da mesma forma, o andamento não pode ser flexível no sentido de se fazer ouvir oscilações de tempos diferentes, por menores que sejam, não estão escritos pelo compositor, e neste caso, sem dúvida, o primeiro movimento é definitivo na obra. 

A pianista parece se sentir mais confortável em dinâmicas piano e pianíssimo, onde o cuidado é notado com a qualidade de seu bonito som. Nos seus fortes sinto falta do mesmo cuidado com a sua qualidade sonora, isto é, legatos e sonoridade redonda, sem nenhum tipo de toque percutido. O universo de Beethoven é altamente clássico. Não sou purista nem conservadora, mas aprendi com os melhores professores do mundo, Myrian Dauelsberg e Jacques Klein, no Brasil, Hans Leygrag na Alemanha e  inclusive nos Estados Unidos, com Leon Fleisher, o grande pianista e maestro, com quem Grimaud também trabalhou, que os estilos devem ser respeitados. A personalidade pessoal do intérprete não pode jamais se sobrepor ao estilo e a personalidade de cada compositor e de cada época. O rubato não existia absolutamente na época de Beethoven. Tocar, portanto, um concerto de Beethoven com este artifício, mesmo que em dosagem pequena, fere a essência de um compositor como o gênio alemão. 

O bis,a Melodia de Gluck, me fez sentir saudades da grande pianista brasileira Guiomar Novaes, sem falar da beleza que é Nelson Freire tocando esta página, assim como a estrela do momento, que é a pianista chinesa Yuja Wang, que traduz com perfeição os mais diferentes estilos com uma técnica deslumbrante e uma palheta sonora celestial.