Conversando com o maestro Fábio Mechetti 

A coluna conversa hoje com um dos mais importantes regentes brasileiros, o premiadíssimo Fábio Mechetti. O maestro é paulista, e fez seus estudos de aperfeiçoamento na Juillard School de Nova York, um dos maiores templos sagrados de ensino de música clássica naquele país.

Após ter sido regente associado do célebre violoncelista e maestro Mstislav Rostropovich, na Orquestra Nacional de Washington, com a qual regeu vários concertos no Kennedy Center e no Capitólio, atuou como regente residente da Orquestra Sinfônica de San Diego. Muito conhecido das plateias americanas, o maestro Mechetti brilhou no Carnegie Hall, em Nova York, regendo a Orquestra Sinfônica de New Jersey. As orquestras japonesas também estão acostumadas a ter Mechetti como regente. Já estiveram sob a sua batuta as Sinfônicas de Tóquio, Sapporo e Hiroshima, assim como orquestras da Escandinávia.

Com toda experiência aclamada pelo mundo, o maestro está dividido entre o Brasil e os Estados Unidos, isto é, atualmente é o diretor artístico e regente titular da Orquestra Sinfônica de Jacksonville, e o festejado diretor artístico e regente titular da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, desde a sua criação. No Brasil o seu nome é sempre lembrado para ser o titular de conjuntos sinfônicos, mas foi o governo de Minas Gerais que pediu ao maestro a reformulação  da vida orquestral de Belo Horizonte, fato que hoje dá uma inegável estabilidade artística ao conjunto mineiro, que além de ser uma das mais prestigiadas orquestras sinfônicas do país, tem em Mechetti sua maior estrela.  

O projeto da Orquestra Filarmônica de Minas Gerais é definitivamente um sucesso. Qual foi o segredo do processo que levou a esta finalização tão positiva?

Todo projeto de sucesso precisa ter uma missão bem definida, um modelo que possibilite essa missão ser efetivada e competência na realização. Desde o princípio (2007), ficou claro que o governo de Minas Gerais queria ter uma orquestra de excelência que posicionasse favoravelmente o estado e sua cultura no âmbito nacional e até internacional. Criou-se um modelo de gestão independente (OSCIP) que possibilita a participação tanto do governo quanto da iniciativa privada no fomento desta missão, ao mesmo tempo que oferece flexibilidade administrativa na condução do dia-a-dia da orquestra.  Diante desse cenário, fiquei contente em poder contribuir com a experiência adquirida em 30 anos de carreira nos Estados Unidos, aceitando o convite para formar a orquestra, aplicando essa experiência na formulação da estratégia artística que vem norteando nossas atividade desde então. 

Visando apoiar  a criação musical dos jovens compositores, o Festival Tinta Fresca, realizado em Belo Horizonte pela Orquestra Filarmônica de Minas Gerais, vem se afirmando no cenário musical brasileiro, aliás com ótimos resultados. As próximas edições continuarão apoiando somente os jovens ou a experiência de abrir para compositores mais maduros,deu certo?

Todo compositor brasileiro merece oportunidades, mas principalmente aqueles que estão começando. Raramente essa geração mais nova tem espaço para apresentar e desenvolver seus trabalhos e achei importante, desde o  início de atividades da OFMG, que isso fosse reconhecido e estimulado através do Festival Tinta Fresca. O festival não é apenas um concurso, mas uma oportunidade para que esses jovens compositores dialoguem com regentes, músicos e principalmente compositores já estabelecidos, para que possam aprender e cada vez mais aprimorar seus conhecimentos. Portanto, no momento, a ideia é manter esse formato.

 A Orquestra Filarmônica de Minas Gerais tem algum projeto de gravação com compositores brasileiros?

A OFMG iniciou em 2012 uma parceria com a Naxos para a gravação de obras de Villa-Lobos com a realização de um CD com obras para violão e orquestra. Em 2013 prosseguiremos esse projeto com a gravação de mais duas obras sinfônicas do Villa. Esperando que essa parceria se fortaleça iremos propor ampliar o escopo dessas gravações incluindo outros consagrados nomes da música brasileira.

Obrigada, maestro, pela conversa.