Conversando com Isaac Karabtchevsky 

A coluna inicia uma série de entrevistas, a serem publicadas uma vez por semana, com personalidades do meio musical brasileiro. Maestros, compositores, intérpretes altamente profissionais, todos extremamente sensíveis, se aperfeiçoaram e fizeram de suas vidas verdadeiros sacerdócios em suas profissões.

Ganharam o mundo, muitos com nomes e carreiras internacionais invejáveis, elevando sempre o nome do país e sendo generosos com a nossa coluna em responder, amavelmente, nossas perguntas, o que a coluna agradece. 

Escolhemos para a nossa primeira conversa um ícone, o grande maestro Isaac Karabtchevsky, dono de uma imensa carreira, já tendo subido nos mais importantes palcos do planeta, e que nos atendeu para nossa conversa, diretamente da Itália, onde se encontra dando o importante curso de aperfeiçoamento de regentes, pelo 12º ano consecutivo. 

Maestro, após você ter regido grandes orquestras no mundo, e já estar realizado profissionalmente, como é o seu sentimento no comando da Orquestra de Jovens de Heliópolis, com a qual voce desenvolve um trabalho de excelência? 

Karabtchevsky - Vivencio este momento como uma fase mágica em minha vida. Após oito anos em Viena, mais oito em Veneza e seis na Orchestre National de Pays de la Loire, junto aos outros empenhos com quatro orquestras brasileiras, encaro minha atividade com os jovens de Heliópolis como uma conjuntura à qual estava predestinado. Ver nessas meninas e meninos a realização através da música, munidos de orgulho e da consciência de uma identidade adquirida, enchem-me de orgulho e renovam minha fé no futuro da música no país.

O seu trabalho à frente da Orquestra Petrobras Sinfônica é um marco, elevando o conjunto ao nível de uma das mais importantes orquestras do país, através de uma programação atraente, com obras raramente executadas e principalmente tendo sua presença marcante na maioria dos concertos.Quais são os projetos para o futuro? 

Karabtchevsky - Não é por acaso que a Petrobras se tornou uma das principais empresas mundiais. Além de sua grandeza e abrangência de interesses, ela cuida também da cultura, dando-lhe suporte e visando o aprimoramento da sensibilidade de nosso povo. Nossa orquestra, que carrega o nome da mantenedora, não poderia ser uma orquestra a mais, sem uma particularidade nos seus propósitos e com uma visão clara de seu papel na formação de um novo público. Principalmente, creio eu, na consolidação de um repertório comprometido com a modernidade e a brasilidade. Vamos continuar nessa linha pois ela tem provado que nossas casas lotadas vêm acompanhadas do interesse da população de ver uma orquestra jovem, sem formalismos e inserida nos tempos atuais. 

Como vê o Brasil no cenário internacional da música clássica, uma vez que, na atualidade, grandes pianistas, grandes violoncelistas e grandes compositores são exatamente brasileiros? 

As coisas não crescem isoladamente. O progresso do país não contempla apenas o nível do PIB e da estabilização da moeda – outros fatores, principalmente a pujança de nossas artes e artistas, são o pano de fundo deste fabuloso renascimento do país a nivel internacional 

Obrigada, Maestro