Crítica - Maria Tudor

Existe uma frase que é bem significativa e expressiva: ”O menos é mais”.

Com o Espaço Cultural da Finep lotadíssimo, para a apresentação da ópera Maria Tudor –Cenas Principais, do compositor brasileiro Carlos Gomes.

A excitação mental era grande, muitas pessoas foram prestigiar os amigos, outras foram ver um espetáculo que não sabiam exatamente o que era, mas a expectativa era imensa.

As cortinas foram abertas e pela sensibilidade do primeiro cenário já poderíamos antever que seria uma noite de festa. Sabendo que a verba para a realização do projeto era muito pequena, ficamos impressionados, de verdade, com a beleza da solução prática e leve, com um efeito visual lindíssimo dada aos três cenários, dos quatro atos da ópera. Helder Castro, o grande anfitrião da Finep está de parabéns pela imaginação, valorização e, sobretudo, pela vontade de realizar. Sabemos o quanto ele agitou, trabalhou com firmeza para que tudo desse certo.

Também observamos que a iluminação foi de muito bom gosto para o evento.

O elenco foi muito bem escolhido, a energia muito boa entre eles e, sobretudo, a harmonia que passava aos ouvintes. Começamos a falar de Magda Belloti, a Giovanna, belíssima atuação, assim como o lindo timbre de sua  voz, sem dúvida, uma artista com experiência de palco, com as marcações muito precisas, uma presença, além de bonita, de muita competência e segurança. Da mesma maneira, o barítono Manuel Alvarez brilhou muito, seguro mesmo, com uma linda voz e, junto com Magda, foi sem dúvida a segurança e a base para o êxito da apresentação. É importante ter presenças experientes para o sucesso do evento.

O ponto culminante foi o solo da soprano Marina Considera no segundo ato, bem à vontade no palco, pode deixar sua voz fluir em uma dinâmica fascinante, onde os pianíssimos, coisa rara hoje em dia de se ouvir, foram de uma beleza ímpar, emocionantes mesmo, fazendo a nosso ver o ponto mais emocionante dos quatro atos. Sua entrega em seu personagem foi verdadeira. Marcações muito bem feitas por Marina, a competente Maria Tudor, que dominou o palco da Finep, como se estivesse verdadeiramente em seu castelo. Também brilhou o tenor Ivan Jorgensen, demonstrando se sentir bem no palco, bem competente. Aparição angelical da soprano Loren Vandal, que passou a cumplicidade de sua Pagem, com uma presença em cena bem serena ,mas muito expressiva. Bravíssimo ao coro, e seu regente, Evandro Rodriguese, muito bem ensaiado e com as marcações precisas, ótimo trabalho.

O piano teve um caráter definitivo a partir do segundo ato, apesar de não ouvirmos uma orquestra, o piano de Eliara Puggina tem, desde o início da obra, de se colocar definivamente no lugar de uma orquestra, desde o compasso inicial.

As soluções práticas dos figurinos de Fernando Portugal foram muitíssimo bem realizadas e pensadas, assim como os adereços deram a beleza precisa e o toque luxuoso que o evento necessitava. A produção de Helder Castro e a Direção Geral de Lauro Gomes foram a base para o êxito do concerto, dois grandes incentivadores.

O BRAVO da coluna para a realização e produção do evento assim como para todas as pessoas nele envolvidas. É uma verdadeira lição de que, com pouco, se faz muito.

A vontade de estar junto, de realizar, de produzir, e em ótimo nível, é a prova mais positiva que, quando se quer, se faz. O elenco inteiro está de parabéns pela excelente realização que ficará por muito tempo na memória de todos que assistiram a estreia desse notável espetáculo, assim como a recomendação da coluna para a nova récita no próximo dia 10, às 18h30, no mesmo local.