O sistema URV alemão

Aqueles que me acompanham, semanalmente, nos meus escritos, estão fartos de saber da minha luta, desde 2005, para implantar em nossas megalópoles o sistema URV, Uso Racionado das Vias, única solução em curto prazo para resolver a mobilidade urbana nessas cidades. Tem sido inglória a minha luta para vê-lo aceito por quem cabe decidir, segundo Jaime Lerner: “por ser tão óbvio e simples, que não acreditam ser possível funcionar”.

Pois bem, nesta semana que passou tive a grata surpresa, cheio de orgulho pela notícia e de frustração pela covardia nacional, que os mestres alemães estão testando, em cinco cidades de médio porte, destacando-se, Bonn, que foi capital da Alemanha Ocidental quando era ela dividida, um sistema semelhante ao meu URV, embora não tão blindado, mas seguindo a mesma filosofia da utilização prioritária das medidas construtivas, ao invés das restrições legais. Foi, por assim dizer, um conforto, um prêmio de consolação, embora não possa mais confidenciar aos meus mestres que lá me ensinaram, não apenas os fundamentos da engenharia de tráfego (hoje ciência esquecida) mas, principalmente, a “ciência do controle do trânsito”, por já estarem todos falecidos. A grande mídia, com o título “A Alemanha testa passe livre para reduzir poluição do ar”, noticia a tentativa honesta e patriótica daquele grande país, de tentar reduzir o número de carros de passeio, com o propósito de reduzir a poluição dos gases de exaustão dos motores de um tráfego com pouca mobilidade urbana.

O interessante é que iniciam a sua campanha, por onde eu acabo a minha que, baseada em pesquisas, inicia eliminando os veículos conduzindo somente o seu condutor (que eu creio também lá existir nas horas de pico) com a elevada “taxa de congestionamento” diária e, permitindo, mercê de nossas dificuldades de oferta de transporte, a circulação em carros compartilhados (transporte solidário) entre donos de veículos, pagando uma ridícula “taxa de circulação racionada”, mensal. Em  outras palavras, eliminando o desperdício do uso das vias, sem diminuir o número de pessoas transportadas. Elevados prêmios, em dinheiro, proporcionais ao número de componentes por sorteio semanais, entre os praticantes do transporte solidário, incentivarão um maior número de componentes de cada grupo solidário. Somente depois de implantado este sistema é que, com a arrecadação da “taxa de racionamento”, no  caso do Rio, pode-se oferecer o transporte sobre pneus, gratuito subsidiado pela prefeitura.

Em face da enorme diferença de cultura e sentimento comunitário entre os dois países, onde se pretende testar este sistema, é possível que lá, na Alemanha, baste o uso do transporte grátis, subsidiado pelo governo central, para por si só os usuários aceitarem, também, a recomendação do transporte em carro compartilhado, apenas sugerida e, não obrigatória, como no meu URV.

Como sou um “intrometido” em assuntos de trânsito, vou enviar ao Consulado alemão matéria abordando o meu URV, absolutamente blindado e impecável nos seus aspetos de engenharia de tráfego, proteção ambiental e o social, com o intuito, até por gratidão, de ajudá-los indicando a empresa VALID, multinacional brasileira, detentora da exclusividade do implante do URV, como fonte de subsídios.

Para aqueles que, possam me censurar pela minha audácia, até “quixotesca”, devo lhes esclarecer o meu lema de vida profissional, copiado do lema de Constantino Doxialis, o urbanista grego que, enquanto viveu, foi o maior do mundo:

”Os problemas de nossas cidades devem ser enfrentados com a razão e o sonho. O sonho quer dizer a fantasia, a imaginação e a intuição. A razão é a matemática, a estatística e tudo que possa tornar o sonho em realidade”

Não se esqueçam de que sou aquariano e, como tal, um sonhador.