O jogo democrático

A essência da cultura ocidental é, fundamentalmente, a liberdade. A liberdade de busca e de crítica progressivamente conquistada, para a qual a dualidade dos poderes – temporal e espiritual -, a limitação da autoridade estatal e a autonomia das universidades foram realmente condições históricas.

A história é feita por homens e mulheres que agem em circunstâncias que não escolheram. A consciência histórica realça os limites do conhecimento humano: quer se volte para o passado, quer para o futuro, não é capaz de chegar a uma certeza. A consciência histórica ensina o respeito pelo outro.

A ação humana, projetada na teia de relações onde fins numerosos e antagônicos são perseguidos, quase nunca satisfaz a intenção original. Daí que a história se encontra diante do desafio de expressar uma narrativa inteligente no momento em que os acontecimentos se distanciarem do passado. 

Tributária da história, a política tradicional cria um conflito entre ambição individual e ação coletiva. Modernamente, a política busca legitimar o sucesso individual, ao mesmo tempo em que exorta cada indivíduo a se associar a outros em projetos comuns, alargando o campo da liberdade individual.

Assim que a política é a própria procura de uma excelência que de fato transcende gerações, obrigando cada nova geração a se examinar e se avaliar com o melhor das gerações precedentes. A democracia, mesmo tão ameaçada hoje, é mais que o triunfo do número e dos procedimentos eleitorais. 

O jogo democrático é um processo sem fim, sempre renovado pelos sonhos e projetos do ser humano.  

* Engenheiro