Um problema desnecessário

O saudoso gênio do humorismo, Chico Anysio, costumava dizer, em um quadro em que interpretava um milionário, a frase mais do que atual: “Eu quero que o pobre se exploda”. Por que a falta de sensibilidade de alguns governantes para com as classes menos favorecidas vem comprovando a crítica do humorista? Por motivos cujas causas nos envergonham e escandalizam. O Estado do Rio, criado com a fusão do antigo Estado da Guanabara, com o Estado do Rio, foi criado para ser um estado rico,  que a Guanabara já era, mercê das brilhantes administrações dos seus, até aquela data, governadores, a saber: Carlos Lacerda, Negrão de Lima e Chagas Freitas.

Ao lado do desespero dos funcionários públicos do Estado, quanto ao atraso de seus vencimentos, vejo na mídia um problema que, como sempre afeta os pobres, da falta de verba para o pagamento e a consequente manutenção do “bilhete único”, subsidiado para o transporte por ônibus.

Vejo também que o montante da dívida para como os empresários, a quem cabe fornecer o transporte, é da ordem de 20 milhões de reais.

Ora, os empresários, fruto de uma política ultrapassada e viciada, vivem do lucro, em explorar o transporte, o que no Primeiro Mundo é equacionado para  funcionar sem dar lucro. O lucro verdadeiro como me ensinaram os mestres alemães é social, ou seja, o rendimento do trabalho de um povo feliz em ser atendido por um transporte barato e confortável. Parece ficção, mas lá é assim.

Aqui, por que não é? Pela pusilanimidade política, dos governantes que podem influenciar esta distorção, políticos que são visando seu voto e não estadistas visando o bem de seus governados.

Prego aqui, do meu ‘gheto”, pela única fonte que ainda tenho de exercer a arte do “jus sperniandis”, neste meu espaço semanal. Aqui no JB, o que se pode e deve fazer para resolver a mobilidade urbana, atualmente da ordem de cerca de 30% do rendimento da malha viária, resultado ridículo.

Volto a citar, na esperança de conseguir implantar o sistema URV, utilização racionada das vias nas horas de pico, no novo governo municipal, uma vez que o que já vai tarde, jamais pôde me receber, capaz de resolver a mobilidade urbana e gerar, ao menos mensalmente, com a “taxa de uso racionado do sistema viário”, cerca de 100 milhões de reais. O transporte de massa, sobre pneus, será gratuito, acabará a penúria atual, pois o setor será rico e pode se transformar confortável, com a instalação do ar condicionado em seus ônibus, numa cidade tropical de clima tórrido.

Mas, a esta altura de minha já longa vida, de intenso convívio com a coisa pública, pouca esperança me resta, ficando apenas o direito de me indignar e revoltar. Este sim, uma vez extinto, significa que o motivo de viver acabou.