A importância da pesquisa

Acabo de tomar conhecimento, pela grande mídia, de um oportuno estudo realizado pela Firjan ( Federação das Indústrias do Rio de Janeiro) sobre a mobilidade dos trabalhadores no seu deslocamento ‘casa-trabalho”, quando o tempo de deslocamento chega a alcançar 2h21.

Aprendi que o tempo tolerável para o deslocamento acima denunciado é, no máximo, de uma hora a hora e meia. Acrescente-se a este tempo prolongado o desconforto e  o preço elevado a que os usuários estão sujeitos. Tudo é fruto, como bem enfatiza o estudo, do mau uso da terra e da densidade de ocupação, aliada ao completo abandono do controle da migração urbana. Ou seja,  a responsabilidade principal por estes problemas é do Governo Federal. Criaram, em boa hora, o Ministério do Planejamento, com vistas à economia,  mas esqueceram de criar o Ministério do Planejamento Urbano ou, se assim preferirem do urbanismo. O grande urbanista e professor Raul Penna Firme sempre me afirmava: “As pessoa não se dão mal nas cidades por falta de urbanidade, e sim, por falta de urbanismo.” 

Quando criaram o Ministério das Cidades, julguei que fossemos ter sanada esta falha. Ledo engano, criaram um enorme BNH, preocupado em construir habitações populares e saneamento básico. Não sei se aqui no Rio a sua Secretaria de Urbanismo tem algum mapa mostrando o uso da terra ou a densidade de ocupação, primordiais para o controle da vida urbana em níveis de conforto dignos  ou toleráveis. Mas vejamos o que aconselham os técnicos da Firjan: “O reordenamento urbano é a única coisa com resultado de longo prazo. Mas a curto prazo você precisa reestruturar sua engenharia de tráfego. E, em médio  prazo, a construção da infraestrutura de transportes. Temos que ampliar o metrô. Não apenas estica-lo. É imprescindível construir o traçado original da Linha 2, que passa pela Carioca e termina na Praça Quinze.”

Já o professor da PUC-RIO e engenheiro de transporte José Eugênio Leal considera que o aumento do tempo de deslocamento pode ser fruto do aquecimento e do aumento da venda de automóveis. O aumento da venda de automóveis é imprescindível por diversos motivos, mas o principal é o desejo do carioca de se livrar da sua dependência dos precários meios de transporte de massa de superfície. O único transporte de massa capaz de retirar automóveis das vias de circulação é o metrô.

O atual congestionamento das vias de circulação nos horários de maior demanda está a exigir, como acontece quando a oferta é menor do que as necessidades de consumo, racionar o seu uso. É o que proponho desde 2005 aos prefeitos do Rio e de São Paulo, sem encontrar da parte deles a coragem política de fazê-lo, mesmo com a sua adoção propiciando a gratuidade do transporte de massa de superfície.

Existem diversas medidas de engenharia de tráfego capazes de diminuir este absurdo tempo de viagem no desconforto e insegurança, principalmente no verão. Por exemplo, é inadmissível a circulação de caminhões, nos principais eixos de ligação da zona norte com o centro, no horário do pique matutino. Durante o Governo Negrão, com o qual tive o privilégio de colaborar, eles só trafegavam após as 10 horas. Era a aplicação pura simples da medida de urbanismo dinâmico, a engenharia de tráfego que, hoje, esquecida ainda tolera o “sinal burro” de tempo fixo, infernizando o carioca.

Estamos em plena campanha eleitoral para o cargo de prefeito do Rio, quando se reacendem as esperanças de um governo que possa resolver ou minorar o que aqui foi analisado. Os candidatos apresentam as suas promessas, sabendo o eleitor já calejado que algumas são vãs, bastando analisar o passado dos candidatos, todos, sem exceção, políticos.

Examinando minuciosamente os vices, cujos nomes mal aparecem nos espaços da TV, encontrei, para  esperança minha, um apolítico, mas técnico de enorme conceito e folha de serviços prestados ao Rio.

 Quem sabe, caso vença o titular da chapa, poderemos ter realizada a mobilidade que, não apenas a Firjan deseja mas todo a habitante da outrora Cidade Maravilhosa, hoje Olímpica.