Ouvindo a voz da razão

A oportunidade que me foi dada pelo então presidente do Detran, engenheiro Fernando Avelino, um gesto de extremo carinho e respeito nomeando-me presidente da Primeira Jari, Junta Administrativa de Recursos de Infrações, proporcionou-me, ao lado da alegria de rever velhos amigos, alguns nomeados por mim, de me reciclar com o drama dos motoristas que, em última análise, são os que fazem o trânsito, gerido por um Código muito mais arrecadador do que educador.

O resultado desta distorção, a par de não melhorar o comportamento do motorista, vítima de uma fiscalização, nem sempre inteligente e  honesta, por conseguinte, perversa e injusta. Por falta de conhecimento dos princípios filosóficos em que se devem basear, tanto as leis do trânsito como os que o dirigem, falta-lhes uma doutrina básica e, que foi tão bem definida pelo legendário Sir Aldir Tripp, diretor de Trânsito, de Londres, na década de 30 do século que passou, cujo currículo está disponível na Internet, quando disse: “No trânsito, tudo que poder ser obtido com medidas construtivas, não se deve impor mediante restrições legais, se se deseja um trânsito com motoristas conscientizados”.

Pois bem, no manuseio dos processos a serem julgados é profundamente deprimente se ver os apelos patéticos dos profissionais punidos com a pena de suspensão da autorização de dirigir por até um ano, por atingir o limite máximo tolerável na lei. No caso do profissional, estará sendo punido duas vezes, pelas multas que pagou e pela suspensão, não constante do Código, do direito de trabalhar. Como aposentei-me de dirigir meu próprio carro, do qual me divorciei, fruto da perda do prazer em fazê-lo no trânsito de minha cidade e minha já avançada idade, embora com os reflexos ainda presentes e dignos de quem, na juventude, foi goleiro, sou atualmente utilitário do metrô e do táxi. Posso conversar, hábito que sempre tive, principalmente em Londres (para atualizar-me), com o taxista sobre como vai o seu trabalho, face às dificuldades do trânsito. Pude ouvir de um taxista carioca uma opinião de fazer inveja a muito doutor:  “Por que não dobrar o valor da multa do profissional, o que para ele já é uma grave punição, uma vez que trafegamos mais de doze horas por dia, com chance enorme de cometer infração e, não nos tirar o direito de trabalhar, embora obrigando aos infratores a uma reciclagem explicativa do Código  de Trânsito?”

Como, quando político, até 64, sempre votei e professei a doutrina do PTB de Vargas e do PSD de JK, tendo sido Diretor Geral de Trânsito na Guanabara, indicado pela Deputada Yara Vargas, do PTB, com o apoio do líder do governo, deputado do PSD, Samy Jorge, continuo me colocando do lado do trabalhador, em defesa de seus direitos, procurando dar-lhes justiça, ao invés de caridade, pois que esta o humilha.

Sei, porque conheço a vaidade dos que dirigem o trânsito no Brasil, em Brasília, que não irão tomar conhecimento desta sugestão humana e, desculpem-me os demais, inteligente e justa, vinda de um taxista e endossada por um veterano, que para eles “já era”.

Assim é que quando, acontece, e não é raro, de me perguntarem se eu não sou o Celso Franco, respondo: “Fui”. 

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